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E não sobrou nenhum - Agatha Christie

"– O que talvez não possa compreender é o sentimento de alívio!
– Alívio? – falou Vera, pasmada.
– Sim. Naturalmente, é muito jovem, ainda não chegou a isso. Mas um dia vem! Abençoado alívio, quando a gente sabe que está tudo acabado... que não é mais preciso carregar o fardo. Há de sentir isso também, algum dia..."

M ou N - Agatha Christie

"Estou cansada de crueldade... da deslealdade do mundo. Gostaria de acabar com tudo isso, e recomeçar pela terra, sem estas regras, estas leis e a tirania de uma nação sobre a outra." 

Os crimes ABC - Agatha Christie

"Há sempre uma grande benevolência em relação a quem morre. Sabe o que eu gostaria de fazer nesse momento? Conversar com alguém que conhecesse Elizabeth Barnard e que não soubesse ainda que ela morreu."

"A atividade mental é tão boa quanto a corporal."

"Eu a encarei como se tivesse sido uma simples intuição. E numa mente bem equilibrada, racional, não há lugar para coisas como uma intuição, um palpite inspirado. Podemos supor, naturalmente, e uma suposição ou um palpite podem estar certos ou não. Se der certo, aí a chamaremos de intuição. Se não for correta, então ninguém tocará no assunto de novo. Mas o que se denomina comumente de intuição é na realidade uma impressão baseada na dedução lógica ou na experiência. Quando um perito sente que há algo errado em relação a um quadro, uma peça de mobiliário antigo ou uma assinatura aposta a um cheque, ele está apoiando realmente essa percepção numa série de pequenos indícios e detalhes. Não tem nenhuma necessidade de se aprofundar em minúcias – sua experiência lhe permite isso – pois resulta claro a impressão bem definida de que alguma coisa ali está errada. Mas não se trata de uma suposição, mas sim de uma impressão baseada na experiência."

"Se as células cinzentas não são exercitadas por nós, criam ferrugem, meu caro."

"– E o que chama de erro imperdoável?
– Não perceber o óbvio."

"– Instinto não, Hastings. É uma palavra mal escolhida. É meu conhecimento, minha experiência, que me dizem haver alguma coisa que não soa bem nessa carta."

"Minha força, Hastings, está em meu cérebro, não em meus pés. Durante todo esse tempo em que você me imagina ocioso, estou refletindo."

O assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie

"É singular que, quando temos uma crença secreta que não desejamos comunicar a ninguém, o ouvi-la expressar por uma outra pessoa nos leve a contradizê-la furiosamente."

Tragédia em três atos - Agatha Christie

"Os acontecimentos são atraídos pelas pessoas... e não as pessoas pelos acontecimentos. Por que será que algumas pessoas parecem ter vidas excitantes, e outras vidas cacetes? Por causa das circunstâncias? Nunca. Há homens que podem ir até os confins do mundo que nada lhes acontece. haverá um massacre na semana antes dele chegar, e um terremoto no dia seguinte à sua partida, e o navio, que quase pegou, afunda. Mas outro mora no subúrbio e vai trabalhar na cidade todo dia, e coisas lhe acontecem. Fica envolvido com quadrilhas de chantagistas ou mulheres deslumbrantes, ou bandidos motorizados. Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece."

"É um fenômeno muito comum. Sempre que encontro alguém que parece pensar muito bem de si mesmo, ou que se gaba muito, sempre fico certo de que há algum sentimento de inferioridade em algum canto."

"Com pensamento, todos os problemas podem ser resolvidos."

Os elefantes não esquecem - Aghata Christie

"Quando se vive tanto quanto eu, acaba-se descobrindo que as pessoas têm mais interesse pela vida dos outros do que pela própria."

"Arrancarei a verdade, seja ela qual for, se é que é isso que deseja, e a depositarei aos seus pés. Agora, se a senhorita deseja consolo, que não é a mesma coisa que a verdade, posso tentar."

"– Os elefantes não esquecem – disse a Sra. Oliver – mas nós somos seres humanos e temos a capacidade de poder esquecer."

Um crime adormecido - Agatha Christie

"A explicação dada pelo bom senso. Já descobri que, na maioria dos casos, é a melhor explicação."

"É realmente muito perigoso acreditar nas pessoas. Eu não acredito há anos!"

Um pressentimento funesto - Agatha Christie

"Ele quase não pintava gente, sabe? Às vezes surge uma ou outra figura nas paisagens, mas é muito raro. De certo modo, acho que lhes dá um encanto especial. Uma espécie de sensação de isolamento. Era como se ele removesse todos os seres humanos e a paz dos campos ficasse muito melhor sem eles. Pensando bem, talvez seja por isso que o gosto do público se inclinasse de novo por ele. Hoje em dia há gente demais, carros, barulho nas ruas, um excesso de ruídos e agitação. Paz. Uma paz inalterável. Tudo entregue à natureza."

"– É uma hipótese muito fantasiosa.
– Oh, sim... concordo. Mas na época em que vivemos é exatamente assim... Acontecem coisas incríveis nesse mundo."

"E quanto a pensar, não se trata obrigatoriamente de esforço cerebral. Não estou estudando matemática e economia, nem somando contas domésticas. Pensar consiste apenas num confortável repouso enquanto o espírito mantém as antenas abertas pra eventualidade de captar algo de interesse ou de importância flutuando no ar."

Os cinco porquinhos - Agatha Christie

"As crianças às vezes conhecem muito bem as pessoas."

"A verdade, Mr. Blake – disse ele tem o hábito de se revelar por si mesma. Até depois de muitos anos."

"O amor ao drama é muito poderoso na espécie humana."

"– Mas creio que os fatos são de domínio público.
– Sim. Porém não sua interpretação."

"Cada um paga suas dívidas. Como é maravilhoso a gente sentir-se em paz!"

"As pessoas que mais nos prejudicam são aquelas que nos ocultam a realidade."
 
"A versão aceita de certos fatos não é necessariamente a verdadeira."

"É com os olhos do espírito que realmente vemos."

A extravagância do morto - Agatha Christie

"Quando se sabe o que se está procurando, fica bem fácil, Hercule Poirot disse a si mesmo. Mas ninguém sabe o que procurar. De modo que se procura no lugar errado pelas coisas erradas."

O Natal de Poirot - Agatha Christie

“Gente! Uma quantidade interminável de gente, gente que não acabava mais. E todos tão, tão – como era mesmo a palavra? – enfadonhos! Tão parecidos, tão terrivelmente parecidos. Os que não tinham rosto de carneiro, tinham de coelho, ele pensou. Alguns conversavam e faziam algazarra. Outros, homens corpulentos de meia idade, grunhiam. Estes mais pareciam porcos. Até mesmo as garotas, esguias, de rostos ovais e lábios escarlates, tinham uma uniformidade deprimente.”

"Todos têm de morrer! A vida é assim, não é? E se a morte vem rapidamente do céu, bum!, assim, de uma maneira ou de outra, dá no mesmo. A gente vive durante um período, claro, e depois morre. É isso o que sempre acontece nesse mundo.”

“– (...) Existe, no Natal, um espírito de boa vontade. É, como vocês dizem, “o que se deve fazer”. Velhas brigas são esquecidas, os que entraram em desacordo consentem em concordar mais uma vez, mesmo que seja temporariamente.
Johnson assentiu.
– Fazer as pazes, isso mesmo.
Poirot prosseguiu com sua explanação.
– As famílias, agora. Famílias que estiveram afastadas durante o ano todo reúnem-se mais uma vez. Bem, nessas condições, meu amigo, você tem de admitir que haverá muita tensão. Pessoas que não se sentem cordiais fazem um grande esforço para aparentar cordialidade. Existe, no Natal, muita hipocrisia, hipocrisia louvável..."

“– Mon cher, todos mentem. Às vezes é necessário. É importante separar as mentiras inócuas das mentiras vitais.”

Cai o Pano - Agatha Christie

“Todos, meu amigo, precisam de uma pitada de perigo em suas vidas. Alguns conseguem isso por meio de outros, como nas touradas. Outros lêem sobre o perigo. Outros vao procurá-lo no cinema. Mas de uma coisa estou certo, muita segurança é incompatível com a natureza humana.”

“A verdade quase nunca é apreciada. E no entanto se ganha muito tempo e se evita muita conversa fiada falando a verdade.”

“Todo mundo é um assassino em potencial. Em todo mundo surge, de vez em quando, o desejo de matar anida que não a determinação de matar. Quantas vezes você já não sentiu ou ouviu as pessoas dizerem: ‘Ele me deixou tão furioso que poderia matá-lo!’; ‘Eu poderia trer matado D por ter dito tal e tal coisa!’; ‘Eu estava com tanta raiva que poderia tê-lo estrangulado!’ E todas essas afirmações são literalmente verdadeiras. Nossa intenção nesses momentos é bastante clara. Você gostaria de matar fulano. Mas você não o faz. Sua determinação tem que estar de acordo com seu desejo.”

Agatha Christie

“Felizmente partiram no dia seguinte, de modo que minha imaginação pôde trabalhar sem o embaraço de qualquer espécie de conhecimento. ‘A senhora põe pessoas reais em seus livros?’ respondo que para mim é inteiramente impossível escrever sobre qualquer pessoa que eu conheça, ou mesmo com quem tenha conversado, ou de quem apenas tenha ouvido falar! Não sei porque motivo, isso é suficiente para destruí-los completamente. Todavia, posso tomá-los como um manequim e dotá-los de qualidades e idéias concebidas por mim.”