O profeta - Khalil Gibran
Como fazer amigos e influenciar pessoas - Dale Carnegie
Flores para Algernon - Daniel Keyes
"Antes, riam de mim, desprezando-me por minha ignorância e estupidez; agora, eles me odiavam por meu conhecimento e compreensão. Por quê? O que, em nome de Deus, queriam de mim?"
O livro de Mirdad - Mikhail Naimy
"O eu é uma varinha de condão. Não pode, porém, a varinha fazer surgir alguma coisa que não esteja no mágico. Tal como é o mágico, assim são os produtos de sua varinha. Conforme for vossa consciência, assim será vosso eu. Conforme for vosso eu, assim será vosso mundo."
O Poder dos Quietos - Susan Cain
“Não é que não haja frivolidades, observa Strickland, a líder do encontro. É que elas não vêm no início das conversas, mas no fim. Na maioria dos cenários as pessoas usam as trivialidades como uma forma de relaxar em uma nova relação, e quando elas se sentem confortáveis, se conectam mais seriamente. Pessoas sensíveis parecem fazer o inverso. Elas ‘gostam de trivialidades só depois de ter mergulhado fundo’, diz Strickland. ‘Quando pessoas sensíveis estão em ambientes que alimentam sua autenticidade, elas riem e fofocam como qualquer um’.”
O lobo da estepe - Hermann Hesse
“Como admirava, então, aquelas enevoadas tardes de outono ou de inverno! Como respirava, ansioso e embevecido, a sensação de isolamento e melancolia, quando, noite adentro, enrolado em meu capote, atravessava as chuvas e tempestades de uma natureza hostil e revoltada, e caminhava errante, pois naquele tempo já era só, mas ia repleto de profunda satisfação e de versos, que mais tarde escrevia, em meu quarto, à luz de uma vela, sentado à beira da cama.”
“Como não haveria de ser eu um Lobo da Estepe e um mísero eremita em meio a um mundo cujos objetivos não compartilho, cuja alegria não me diz respeito! (...) E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes – aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.”
“Nada daquilo era para mim, tudo aquilo era para os normais, as pessoas comuns.”
“Todo homem é uno quanto ao corpo, mas não quanto à alma.”
“Agora me visto e saio, vou visitar o professor e troco com ele algumas frases amáveis, mais ou menos falsas, tudo isso contra a minha vontade, assim procede a maioria dos homens que vivem e negociam todos os dias, todas as horas, forçadamente e sem na realidade querê-lo; fazem visitas, mantêm conversações, sentam-se durante horas inteiras em seus escritórios e fábricas, tudo à força, mecanicamente, sem vontade; tudo poderia ser realizado com a mesma perfeição por máquinas ou não se realizar; e essa mecânica eternamente continuada é o que lhes impede, assim como a mim, de exercer a crítica à sua própria visa, reconhecer e sentir sua estupidez e superficialidade, sua desesperada tristeza e solidão. E têm razão, muitíssima razão, os homens que assim vivem, que se divertem com seus brinquedinhos, que correm atrás de seus assuntos, em vez de se oporem à mecânica aflitiva e olharem desesperados o vazio, como faço eu, homem marginalizado que sou.”
“Não se deveria falar dos animais dessa maneira. Podem ser terríveis às vezes, mas sem dúvida são muito mais justos que os homens.”
“Não fora a bem dizer um dia encantador, nem brilhante, nem feliz, nem plácido, mas tão somente um desses dias como desde algum tempo costuma ser os normais de minha vida: moderadamente agradáveis, totalmente suportáveis, toleráveis, tépidos dias de um velho e descontente senhor, dias sem dores particulares, sem singulares preocupações, sem aflições especiais, sem desesperos.”
“Solidão é independência, com ela eu sempre sonhara e a obtivera afinal, após tantos anos. Era fria, oh! Sim! Mas também era silenciosa e grande como o frio espaço silente em que giram as estrelas.”
“Não se pode negar que fosse, em geral, muito infeliz, e podia também fazer os outros infelizes, especialmente quando os queria ou era por eles estimado. Pois todos os que com ele se deram viram apenas uma das partes de seu ser. Muitos o estimaram por ser uma pessoa inteligente, refinada e arguta, e mostraram-se horrorizados e desapontados quando descobriram o lobo que morava nele. E assim tinha de ser, pois Harry, como toda pessoa sensível, queria ser amado na sua totalidade e, portanto, era exatamente com aqueles cujo amor lhe era mais precioso que ele não podia de maneira alguma encobrir ou perjurar o lobo. Havia outros, todavia, que amavam nele exatamente o lobo, o livre, o selvagem, o indômito, o perigoso e o forte, e esses achavam profundamente decepcionante e deplorável quando o selvagem e o perverso se transformava em homem, e mostrava anseios de bondade e refinamento, gostava de ouvir Mozart, de ler poesia e acalentar ideais humanos.”
“O peito, o corpo, é sempre uno, mas as almas que nele residem não são nem duas, nem cinco, mas incontáveis; o homem é um bulbo formado por cem folhas, um tecido urdido com muitos fios. Os antigos asiáticos sabiam disso muito bem e encontraram no ioga búdico uma técnica precisa para descobrir a ilusão da personalidade. Divertido e multíplice é o jogo da humanidade: a ilusão que levou milhares de anos para ser descoberta pelos hindus é a mesma ilusão que aos ocidentais custou tanto trabalho custodiar e fortalecer.”
“O homem não é uma forma fixa e duradoura (tal era o ideal dos antigos, apesar do pensamento em contrário de alguns luminados da época); é antes um ensaio e uma transição, não é outra coisa senão a estreita e perigosa ponte entre a Natureza e o Espírito. Para o espírito, para Deus, ele é impulsionado por sua vocação mais íntima. Para a natureza, para a mãe, é atraído pelo mais íntimo desejo. Sua vida oscila vacilando angustiosamente entre ambas as forças.”
“Imagine-se um jardim de cem espécies de árvores, com mil variedades de flores, com cem espécies de frutas e outros tantos gêneros de ervas. Pois bem, se o jardineiro que cuida desse jardim não conhece outra diferenciação botânica além do ‘joio’ e do ‘trigo’, então não saberá que fazer com nove décimas partes do seu jardim, arrancará as flores mais encantadoras, cortará as árvores mais nobres, ou pelo menos ter-lhes-á ódio e as olhará com maus olhos. Assim faz o Lobo da Estepe com as mil flores de sua alma. O que não está compreendido na designação pura e simples de ‘lobo’ ou de ‘homem’ nem sequer merece sua atenção. E quantas qualidades ele empresta ao homem! Tudo que é covarde, símio, estúpido, mesquinho, desde que não seja muito, diretamente lupino, ele o atribui ao 'homem’, assim como atribui ao ‘lobo’ tudo que é forte e nobre, só porque não conseguiu ainda dominá-lo.”
“Mas pobre daquele que não pode se dar a um prazer sem pedir antes a permissão dos outros.”
“Quem quiser música em vez de balbúrdia, alegria em vez de prazer, alma em vez de dinheiro, verdadeiro trabalho em vez de exploração, verdadeira paixão em vez de jogo, não encontrará guarida neste belo mundo.”
“Tem ansiado abandonar este tempo, este mundo, esta realidade, e entrar numa outra realidade que lhe seja mais adequada, num mundo intemporal. Pois faça-o, meu amigo, eu o convido a isso. você já sabe onde se oculta esse outro mundo, já sabe que esse outro mundo que busca é sua própria alma. Só em seu próprio interior vive aquela outra realidade por que anseia. Nada lhe posso dar, que já não exista em você mesmo, não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível seu próprio mundo, e isso é tudo.”
“Sem dúvida, já terá adivinhado há algum tempo que o domínio do tempo, a libertação da realidade e tudo aquilo que deseja chamar de seu anseio não significam outra coisa senão o desejo de libertar-se de sua chamada personalidade. Tais são as prisões em que você se encontra.”
“Aprenda a levar a sério o que merece ser levado a sério, e a rir de tudo mais!”
Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie
– Do que você está falando? – perguntou padre Amadi.
– De religião e tirania. – disse Obiora.”
“Falou como um missionário de verdade, padre – disse Amaka. – Quando as pessoas desafiam você, é só chamá-las de loucas.”
“Ainda há muito que não dizemos com nossas vozes, que não transformamos em palavras.”
“Há alguns meses, ele escreveu dizendo que não queria que eu ficasse procurando os porquês, pois há certas coisas que acontecem e para as quais não podemos formular um porquê, para as quais os porquês simplesmente não existem e para as quais, talvez, eles não sejam necessários.”
O Morcego - Augusto dos Anjos
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
Magia do Caos, uma jornada pelo inconsciente - Luis Z Siqueira
"O inconsciente é um diretor de teatro que tudo vê, um observador por trás das cortinas, que vê a plateia (consciência), o palco (mundo externo), sem ser visto. Despercebido no momento da peça da vida real, é ele - o inconsciente - quem dirige e determina aquilo que será percebido."
"Creio, logo sou."
Narciso e Goldmund - Hermann Hesse
"'Certamente', prosseguiu Narciso, 'Naturezas como a sua, possuidoras de sentidos fortes e delicados, os anímicos, os sonhadores, os poetas, os amantes, são diferentes de nós, homens do espírito, e nos são quase sempre superiores. Vossa origem é materna. Viveis na plenitude e a vós vos foi dada a força do amor e da vivência. Quanto a nós outros, seres espirituais, embora pareçamos estar frequentemente vos dirigindo e vos governando, não vivemos na plenitude e sim na aridez; a vós pertence a fartura da vida, a vós o suco das frutas, a vós o jardim do amor, o belo país das artes. Vossa pátria é a terra; a nossa, a ideia. Vosso perigo está em vos afogardes no mundo dos sentidos; o nosso, em sufocarmos no vácuo. Você é artista; eu, pensador. Você dorme no regaço materno; eu acordo no deserto. Para mim brilha o sol; para você, a lua e as estrelas..."
Chamando os filhos do sol - Marcelo Motta
"O sofrimento, é o fruto da ignorância, e sua presença é sintoma de erro, e não sinal de espiritualização. Todo ser humano que sofre, sofre por sua própria culpa, e no momento em que sofre. Os vossos erros passados determinam as vossas condições de manifestação; mas a essências do vosso íntimo, o fogo interno que queima no coração da estrela caída, está sempre presente em vós; está sempre presente em vós a possibilidade da Pedra Filosofal, que transmuta o pesado, penoso chumbo de Saturno no belo, luminoso Rubi e Ouro do Sol. Todo homem e toda mulher é uma estrela."
"Este mundo não é um antro de demônios expiando seus pecados; este mundo é um dossel de Deuses que dormem, e dormindo, sonham."
"Dizem-vos que Deus veio ao mundo, foi crucificado pelos nossos pecados, ressuscitou e subiu aos céus, mas por divina caridade morre novamente e se ergue novamente todo dia na cerimônia da missa. Ouvis isto, e dobrais o joelho? Cegos, não compreendeis que vós sois Aquele crucificado sobre a cruz da carne, e que a Crucifixão Vossa é o Batismo da Encarnação? Vós sois o Caminho, a Verdade e a Vida! Erguei-vos, como Ele se ergue diariamente, no Batismo da Ressurreição!"
"Se quereis orar ao Verdadeiro Deus, trabalhai; não importa em que, mas trabalheis com capricho, com devoção, fazendo do vosso trabalho vosso culto; pois quando trabalhais ativamente e com concentração, fazeis germinar as sementes de individualidade e iniciativa que existem latentes dentro de vós. Por isso está escrito: O que quer que tua mão faça, faze-o com todo o teu poder. E por isto, também, está escrito: Conhecê-los-eis pelos seus frutos."
"Os Mestres não auxiliam os homens, mas fazem com que eles aprendam a se auxiliarem a si próprios".
"Eu me assombro cada dia em meio vosso, de ver como pagais serviço com vossos lábios a certas crenças, mas sempre desmentis vossas palavras com vossos atos. Dizeis acreditar em outra vida para a alma, onde ela será mais feliz do que foi aqui na terra, e chorais desabaladamente quando os vossos entes queridos (e até os vossos entes não-queridos) morrem. (...) Dizeis acreditar que a alma é salva pelo batismo na infância, e no entanto vossas igrejas e sacerdotes vis passam a vida inteira do batizado a espreitar, boquejar, e freqüentemente a condenar. Ó geração covarde e hipócrita!"
Atenção plena - Danny Penman; Mark Williams
A voz do silêncio - Helena Blavatsky
“As águas puras da vida eterna, cristalinamente claras, não podem misturar-se às águas lamacentas da tempestade tropical. A gota de orvalho do céu que brilha no meio da flor de lótus com o primeiro raio de sol da manhã, quando cai na terra se torna um pedaço de barro; olhe, a pérola agora é uma partícula de lama.”
“Luta contra teus pensamentos impuros antes que eles te dominem. Usa-os como eles te usarão, porque se os poupares e deixares que criem raízes e cresçam, deves saber que estes pensamentos te dominarão e te matarão. Tem cuidado, Discípulo, não deixes sequer que a sombra de tais pensamentos se aproxime. Porque a sombra crescerá, aumentará em tamanho e poder, e então esta coisa de escuridão absorverá o teu ser antes que tu tenhas percebido bem a presença do monstro preto e repugnante.”
“Não podes trilhar o Caminho antes de te transformares no próprio Caminho.”
“Mata o desejo; mas, se o matas, cuida para que ele não ressurja dos mortos outra vez.”
“Não te irrites com o Carma, nem com as leis imutáveis da Natureza. Mas luta apenas com o que é pessoal, com o transitório, o evanescente e o perecível. Ajuda a Natureza e trabalha com ela; e a Natureza te verá como um dos seus criadores, e te obedecerá.”
“Há uma única estrada para o Caminho; só no seu final a Voz do Silêncio pode ser ouvida. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e dor, e estes só podem ser silenciados pela voz da virtude. Ai de ti, portanto, discípulo, se houver um só vício que ainda não abandonaste; porque então a escada cederá e te derrubará. O pé desta escada se apoia na lama profunda dos teus pecados e falhas, e, antes que tu possas tentar atravessar este amplo abismo de matéria, tens que lavar os teus pés nas Águas da Renúncia. Cuida para não pôr um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ousa sujar um degrau com pés enlameados. O barro mau e pegajoso seca, se torna resistente, e então gruda os seus pés naquele ponto. E, assim como um pássaro preso pela isca do caçador astuto, ele fica impossibilitado de obter mais progresso. Os seus vícios tomam forma e o arrastam para baixo. Seus pecados erguem suas vozes como a risada e o soluço do chacal depois que o sol se pôs. Os seus pensamentos se tornam um exército e o levam para longe como um escravo e um prisioneiro. Mata teus desejos, Lanu, torna teus vícios impotentes, antes que seja dado o primeiro passo da viagem solene.”
“Silencia os teus pensamentos e fixa toda tua atenção em teu Mestre, que ainda não vês, mas sentes.”
“O caminho diante de ti é longo e cansativo, ó discípulo. Um só pensamento sobre o passado, que tu deixaste para trás, te arrastará para baixo e então terás que começar novamente a subir.”
“A mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões.”
“Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo; desconfia dos teus sentidos; eles são falsos.”
“O teu corpo não é o seu Eu. O teu Eu é em si mesmo destituído de corpo, e nem os elogios, nem as críticas, o afetam.”
“Não permitas que os teus sentidos transformem a tua mente em um pátio de recreio.”
“Tua Alma não pode ser ferida, exceto pelos erros do teu corpo. Controla e domina a ambos, e estarás seguro ao cruzar o já próximo Portão do Equilíbrio”.
“Cuidado com as mudanças! Porque as mudanças são o teu grande inimigo. Estas mudanças te combaterão, e te lançarão para trás e para fora do Caminho que trilhaste, fazendo com que caias profundamente nos pântanos viscosos da dúvida. Prepara-te, e fica alerta a tempo. Se tentaste e falhaste, ó lutador destemido, ainda assim não percas a coragem; continua lutando, e volta a atacar outra e outra vez. Com o sangue precioso da vida saindo das suas largas feridas abertas, o guerreiro destemido ainda atacará o inimigo, expulsando-o de sua fortaleza, antes de morrer ele mesmo. Ajam, então, todos vocês que fracassam e sofrem, ajam como ele; e desde a fortaleza da sua Alma persigam e expulsem todos os seus inimigos – a ambição, a raiva, o ódio, até a sombra de um desejo – mesmo quando tiverem fracassado. Tu, que combates o inimigo em busca da libertação, deves lembrar que cada derrota é um êxito, e cada tentativa sincera conquista sua recompensa a seu devido tempo. Os germes sagrados brotam e crescem sem serem vistos na alma do discípulo. Os seus talos ficam mais fortes a cada nova tentativa.”