"O homem, salvo exceções, está perdido e confuso. Não sabe por que nasceu nem qual é seu destino fina. Não entende a dor e se rebela contra Deus e contra si mesmo, sem descobrir que tudo isso não é por acaso. O conhecimento, definitivamente, sempre serviu para serenar o espírito dos humanos e acelerar seu caminho rumo à suprema perfeição."
"A existência divina nunca poderá ser provada nem compreendida por meio de experiências científicas ou de deduções lógicas da razão pura. Ninguém pode conceber claramente a Deus senão fora dos reinos da experiência humana. Porém, como você sabe, o verdadeiro conceito da realidade de Deus é razoável para a lógica, plausível para a filosofia, essencial para a religião e indispensável para toda esperança de sobrevivência pessoal."
"– No dia em que tiverdes acesso a essa parte da Verdade – concluiu com uma velha e suspeita citação bíblia – vossos olhos se abrirão... Então, só então, compreendereis que o Bem e o Mal são irreais. Que as promessas de salvação que apregoam vossas igrejas nada são além de astutas chantagens para obter a submissão dos humanos, ou seja, o poder..."
"A humanidade, vós, não teme mais as forças da natureza. O progresso deu lugar a uma nova forma de religião: a da mente. Um sem-fim de igrejas na luta pela posse exclusiva da Verdade. Todas dispões de sua própria teologia e baseiam sua existência no princípio dogmático e indiscutível da autoridade. Milhões de seres humanos aceitam sem discussão a proteção dessas religiões, que pedem, em troca, uma cega e total submissão. Perfeitamente estabelecidas e cristalizadas, essas igrejas são o refúgio mais confortável para aquelas mentes que se veem assaltadas pelas dúvidas e pela incerteza. O preço a pagar é a docilidade e assentimento intelectual a princípios, ritos e dogmas que, apesar do infantilismo e da fossilização, são tidos e considerados como revelações divinas, manifestações sagradas e caminho de perfeição. À frente dessas igrejas, vós sabeis, há centenas de milhares de novos feiticeiros, empenhados, principalmente, na vigilância e manutenção desse princípio de autoridade. Obviamente, não dançam em volta do fogo nem fustigam seus fiéis com chicote, mas houve um tempo em que queimavam, torturavam e prendiam em nome de Deus. Hoje, sua tirania é mais cruel e extenuante: utilizam a obscura magia de palavras como fé ou salvação para acabar cm qualquer tentativa de liberdade e de busca espiritual. É a religião do dogma."
"E eu lhe pergunto: sabe de algum ser humano realmente inteligente que seja arrogante? Os seres inteligentes de verdade são, quase sempre, os mais humildes..."
"O desenvolvimento da civilização em teu mundo não é muito diferente de outros planetas que padeceram o infortúnio do isolamento espiritual. Mas, se comparada aos mundos leais a Micael, Iurancha, de fato, é um lugar confuso e atrasado. Devido a essa involução cósmica, os humanos de teu mundo não podem compreender a cultura de outros planetas. E nem sequer conhecem a existência dessas civilizações. O nível biológico de vossas raças encontra-se alterado e extremamente atrasado e sois vítimas da falta de verdadeiros ideais. Mas não te confundas, Sinuhé: à primeira vista, Iurancha é um mundo desventurado. Certo. Porém, o isolamento também oferece vantagens.
– Vantagens? – disse Sinuhé com ceticismo.
– A incomunicabilidade dessas esferas permite o exercício de uma virtude sem igual: a fé. O desenvolvimento dessas qualidade, à margem da vista e de qualquer outra consideração material, fortalece os espíritos dos mortais desses mundos até limites inimagináveis. (...) São, ou melhor, sois seres capazes de vencer nas missões mais difíceis."
"Se houvesse contado com um príncipe planetário honesto e com Filhos Materiais firmes, as raças humanas de teu mundo, como todas as do espaço e do tempo, teriam conhecido os seguintes estágios: A Era da Nutrição: nessas épocas, as criaturas pré-humanas e as raças iniciais vivem principalmente para a alimentação e a sobrevivência física. A busca de comida é seu único e básico horizonte. A Era da Segurança: assim que os caçadores primitivos dispõem de alimentação abundante, todo o seu tempo é destinado a reforçar sua segurança e a do clã. Assim, nascem novas técnicas guerreiras e de construção de casas. A Era do Conforto e dos Prazeres: após resolver seus problemas de alimentação e segurança, os homens caem no luxo e na órbita dos prazeres. São épocas que se caracterizam pela tirania em todos os níveis, pela intolerância, a gula, a embriaguez e o que hoje chamais de consumismo desenfreado. A Era da Busca da Sabedoria e do Conhecimento: a alimentação, a segurança, o prazer e o ócio são as bases que permitem o desenvolvimento da cultura e da inteligência. O esforço para pôr os conhecimentos em prática acaba na sabedoria. A obsessão pelo bem-estar material domina ainda essa civilização, mas muitos indivíduos já apontam para outro horizonte: o do conhecimento. Em geral, a educação e a cultura são o grande triunfo dessa era. A Era da Filosofia e da Fraternidade: quando os mortais aprendem a pensar por si mesmos e a tirar proveito da experiência, surge a Filosofia. A sociedade, então, torna-se ética e seus homens, morais. E só esses seres sábios e realmente morais são os capacitados para estabelecer uma verdadeira irmandade humana. A Era do Esforço Espiritual: quando os mortais evoluem e passam pelos estágios de desenvolvimento físico, intelectual e social, cedo ou tarde atingem os níveis de clarividência, que os conduzem irremediavelmente à busca de satisfações espirituais e à compreensão das verdades cósmicas. As religiões conseguem se elevar acima das motivações do medo e da superstição, até a verdadeira sabedoria da experiência pessoal. Os humanos dessa era conhecem, pela primeira vez, o alcance da palavra Deus. A Era da Luz e da Vida: é o florescimento as eras sucessivas da segurança física, da expansão intelectual e espiritual. Os desejos e objetivos humanos fundem-se, então, com os de outros seres celestes. É a época final, na qual não existem fronteiras. O intercâmbio com outras civilizações é total. Nesses tempos, os príncipes planetários dos mundos ancorados na luz são elevados à posição de soberanos planetários.
Não era preciso ser muito esperto para deduzir que a Terra – Iurancha – não havia superado a terceira era ainda: a do Conforto. E em algumas regiões do globo, os humanos ainda se debatem na primeira e na segunda. E embora não seja menos verdade que se pressente no planeta uma mudança – um salto, talvez, para essa outra Era da Busca do Conhecimento –, na realidade, o caminho a percorrer é imenso ainda."
Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
"'Gatos comem morcegos?' e, às vezes: 'Morcegos comem gatos?', pois, como ela não conseguia responder à pergunta, não importava muito a ordem em que era colocada."
"E tentou imaginar como pareceria a chama de uma vela depois que a vela acabasse, mas não se lembrava de ter visto alguma vez na vida coisa semelhante."
"'Vamos, de que serve chorar assim?' disse Alice a si mesma, asperamente. 'Aconselho você a parar com isso agora mesmo!' Ela geralmente dava conselhos muito bons a si própria (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente que seus olhos se enchiam de lágrimas; lembrou-se que, uma vez, tentara dar um puxão nas próprias orelhas, por ter trapaceado numa partida de croquet que jogava contra si mesma – pois essa menina curiosa adorava fingir que era duas pessoas" 'Mas de nada me serve agora', pensou a pobre Alice, 'fingir que sou duas pessoas! Porque tudo o que sobrou de mim mesma é pouco até para ser uma só pessoa respeitável!'"
"Vamos ver: eu era a mesma quanto me levantei esta manhã? Estou quase me recordando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, se eu não sou mais eu mesma, a pergunta é: Quem afinal sou eu? Ah, aí é que está o problema."
"E tentou imaginar como pareceria a chama de uma vela depois que a vela acabasse, mas não se lembrava de ter visto alguma vez na vida coisa semelhante."
"'Vamos, de que serve chorar assim?' disse Alice a si mesma, asperamente. 'Aconselho você a parar com isso agora mesmo!' Ela geralmente dava conselhos muito bons a si própria (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente que seus olhos se enchiam de lágrimas; lembrou-se que, uma vez, tentara dar um puxão nas próprias orelhas, por ter trapaceado numa partida de croquet que jogava contra si mesma – pois essa menina curiosa adorava fingir que era duas pessoas" 'Mas de nada me serve agora', pensou a pobre Alice, 'fingir que sou duas pessoas! Porque tudo o que sobrou de mim mesma é pouco até para ser uma só pessoa respeitável!'"
"Vamos ver: eu era a mesma quanto me levantei esta manhã? Estou quase me recordando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, se eu não sou mais eu mesma, a pergunta é: Quem afinal sou eu? Ah, aí é que está o problema."
Origem - Dan Brown
"Historicamente, os homens mais perigosos da Terra eram os homens de Deus... em especial quando seus deuses eram ameaçados."
"Bom, ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história. Neste mundo há espaço para as duas."
"Não quero ser desrespeitoso, Winston, mas preciso dizer: frequentemente acho difícil saber quando algo é arte moderna e quando é pura bizarrice."
"– Os que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo – disse Julian, recitando o aforismo decorado no ensino fundamental.
– Exato. E a história provou repetidamente que os lunáticos ascenderão ao poder de novo e de novo em maremotos de nacionalismo agressivo e intolerância, mesmo em lugares onde isso parece absolutamente incompreensível."
"– Para você, pessoalmente... as leis da física bastam?
Langdon a encarou como se tivesse esperado uma pergunta totalmente diferente.
– Bastam em que sentido?
– Espiritualmente. Basta viver num Universo cujas leis criam a vida espontaneamente? Ou você prefere... Deus? – Ela fez uma pausa, parecendo sem graça. – Desculpe, depois de tudo o que passamos esta noite, sei que é uma pergunta estranha.
– Bom – disse Langdon, rindo. – Acho que eu daria uma resposta melhor depois de uma noite de sono decente. Mas não, não é uma indagação estranha. As pessoas perguntam o tempo todo se eu acredito em Deus.
– E o que você responde?
– A verdade, Digo que, para mim, a questão de Deus está em entender a diferença entre códigos e padrões.
Ambra o encarou.
– Não sei se entendi.
– Códigos e padrões são coisas bem diferentes. E muitas pessoas confundem as duas. No meu campo de estudos, é crucial entender a diferença fundamental entre elas.
– E qual é?
Langdon parou de andar e se virou para Ambra.
– Um padrão é uma sequência nitidamente organizada. Os padrões acontecem em toda a parte na natureza: a espiral das sementes de um girassol, as células hexagonais de um favo de mel, as ondulações circulares num lago quando um peixe salta, etc.
– Certo. E os códigos?
– Os códigos são especiais. – disse Langdon, aumentando o volume da voz. – Por definição os códigos devem carregar informação. Devem fazer mais do que simplesmente formar um padrão; devem transmitir dados e significado. Alguns exemplos de códigos são a linguagem escrita, a notação musical, as equações matemáticas, a linguagem de computador e até símbolos simples como o crucifixo. Todos esses exemplos podem transmitir significado ou informação de um modo que as espirais dos girassóis não podem.
Ambra captou o conceito, mas não como ele se relacionava com Deus.
– A outra diferença entre códigos e padrões – continuou Langdon – é que os códigos não ocorrem naturalmente no mundo. A notação musical não brota das árvores e os símbolos não se desenham sozinhos na areia. Os códigos são invenção deliberada de consciências inteligentes.
Ambra assentiu.
– Então os códigos sempre têm uma intenção ou uma percepção por trás.
– Exato. Os códigos não aparecem organicamente. Devem ser criados.
Ambra o examinou por um longo momento.
– E o DNA?
Um sorriso professoral apareceu nos lábios de Langdon.
– Bingo – disse ele. – O código genético. Esse é o paradoxo.
Ambra sentiu uma empolgação. O código genético obviamente carregava dados, instruções específicas sobre como construir um organismo. Segundo a lógica de Langdon, isso só poderia significar uma coisa.
– Você acha que o DNA foi criado por uma inteligência!
Langdon levantou a mão fingindo se defender.
– Ei, vamos com calma! – disse rindo. – Você está pisando em terreno perigoso. Só me permita dizer o seguinte. Desde que eu era criança, sempre tive uma sensação profunda de que há uma consciência por trás do Universo. Quando testemunho a precisão da matemática, a confiabilidade da física e as simetrias do cosmo, não me sinto observando a ciência fria. Sinto que estou vendo uma pegada... a sombra de alguma força maior que está fora do nosso alcance.
Ambra podia sentir o poder das palavras dele.
– Eu gostaria que todo mundo pensasse como você – disse finalmente. – Parece que brigamos muito por causa de Deus. Todo mundo tem uma versão diferente da verdade."
"Bom, ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história. Neste mundo há espaço para as duas."
"Não quero ser desrespeitoso, Winston, mas preciso dizer: frequentemente acho difícil saber quando algo é arte moderna e quando é pura bizarrice."
"– Os que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo – disse Julian, recitando o aforismo decorado no ensino fundamental.
– Exato. E a história provou repetidamente que os lunáticos ascenderão ao poder de novo e de novo em maremotos de nacionalismo agressivo e intolerância, mesmo em lugares onde isso parece absolutamente incompreensível."
"– Para você, pessoalmente... as leis da física bastam?
Langdon a encarou como se tivesse esperado uma pergunta totalmente diferente.
– Bastam em que sentido?
– Espiritualmente. Basta viver num Universo cujas leis criam a vida espontaneamente? Ou você prefere... Deus? – Ela fez uma pausa, parecendo sem graça. – Desculpe, depois de tudo o que passamos esta noite, sei que é uma pergunta estranha.
– Bom – disse Langdon, rindo. – Acho que eu daria uma resposta melhor depois de uma noite de sono decente. Mas não, não é uma indagação estranha. As pessoas perguntam o tempo todo se eu acredito em Deus.
– E o que você responde?
– A verdade, Digo que, para mim, a questão de Deus está em entender a diferença entre códigos e padrões.
Ambra o encarou.
– Não sei se entendi.
– Códigos e padrões são coisas bem diferentes. E muitas pessoas confundem as duas. No meu campo de estudos, é crucial entender a diferença fundamental entre elas.
– E qual é?
Langdon parou de andar e se virou para Ambra.
– Um padrão é uma sequência nitidamente organizada. Os padrões acontecem em toda a parte na natureza: a espiral das sementes de um girassol, as células hexagonais de um favo de mel, as ondulações circulares num lago quando um peixe salta, etc.
– Certo. E os códigos?
– Os códigos são especiais. – disse Langdon, aumentando o volume da voz. – Por definição os códigos devem carregar informação. Devem fazer mais do que simplesmente formar um padrão; devem transmitir dados e significado. Alguns exemplos de códigos são a linguagem escrita, a notação musical, as equações matemáticas, a linguagem de computador e até símbolos simples como o crucifixo. Todos esses exemplos podem transmitir significado ou informação de um modo que as espirais dos girassóis não podem.
Ambra captou o conceito, mas não como ele se relacionava com Deus.
– A outra diferença entre códigos e padrões – continuou Langdon – é que os códigos não ocorrem naturalmente no mundo. A notação musical não brota das árvores e os símbolos não se desenham sozinhos na areia. Os códigos são invenção deliberada de consciências inteligentes.
Ambra assentiu.
– Então os códigos sempre têm uma intenção ou uma percepção por trás.
– Exato. Os códigos não aparecem organicamente. Devem ser criados.
Ambra o examinou por um longo momento.
– E o DNA?
Um sorriso professoral apareceu nos lábios de Langdon.
– Bingo – disse ele. – O código genético. Esse é o paradoxo.
Ambra sentiu uma empolgação. O código genético obviamente carregava dados, instruções específicas sobre como construir um organismo. Segundo a lógica de Langdon, isso só poderia significar uma coisa.
– Você acha que o DNA foi criado por uma inteligência!
Langdon levantou a mão fingindo se defender.
– Ei, vamos com calma! – disse rindo. – Você está pisando em terreno perigoso. Só me permita dizer o seguinte. Desde que eu era criança, sempre tive uma sensação profunda de que há uma consciência por trás do Universo. Quando testemunho a precisão da matemática, a confiabilidade da física e as simetrias do cosmo, não me sinto observando a ciência fria. Sinto que estou vendo uma pegada... a sombra de alguma força maior que está fora do nosso alcance.
Ambra podia sentir o poder das palavras dele.
– Eu gostaria que todo mundo pensasse como você – disse finalmente. – Parece que brigamos muito por causa de Deus. Todo mundo tem uma versão diferente da verdade."
Sonhos Elétricos - Philip K. Dick
"Ele diz que venderam às pessoas tantos carros, máquinas de lavar e televisores quanto podiam. Diz que a Patrulha da Força Aérea e os abrigos de bombas não servem para nada, por isso as pessoas nunca têm acesso a tudo o que poderiam usar. Diz que as fábricas vão continuar produzindo armas e máscaras de gás para sempre e que, enquanto as pessoas tiverem medo, vão continuar pagando, porque pensam que podem morrer se não fizerem isso; que talvez um homem se sinta cansado de pagar por um novo carro todos os anos e pare, mas nunca vai parar de comprar abrigos para proteger seus filhos."
"Essa brincadeira é mais vantajosa do que vender carros e televisores para as pessoas. Nós temos que comprar esse tipo de coisa. Não é um luxo, algo grande e vistoso para impressionar os vizinhos, algo que a gente pudesse viver sem. Se não comprarmos isso, nós morremos. Eles sempre disseram que para vender alguma coisa era preciso criar ansiedade nas pessoas. Criar um sentimento de insegurança, dizer a elas que cheiram mal ou têm um ar esquisito. Mas isso transforma desodorantes e óleos capilares em piada. Você não tem como escapar. Se não comprar, eles tem matam. O discurso de vendas perfeito. Compre ou morra, um novo slogan. Tenha um abrigo de bombas de hidrogênio da General Eletronics novinho em folha em seu quintal ou seja executado."
"Essa brincadeira é mais vantajosa do que vender carros e televisores para as pessoas. Nós temos que comprar esse tipo de coisa. Não é um luxo, algo grande e vistoso para impressionar os vizinhos, algo que a gente pudesse viver sem. Se não comprarmos isso, nós morremos. Eles sempre disseram que para vender alguma coisa era preciso criar ansiedade nas pessoas. Criar um sentimento de insegurança, dizer a elas que cheiram mal ou têm um ar esquisito. Mas isso transforma desodorantes e óleos capilares em piada. Você não tem como escapar. Se não comprar, eles tem matam. O discurso de vendas perfeito. Compre ou morra, um novo slogan. Tenha um abrigo de bombas de hidrogênio da General Eletronics novinho em folha em seu quintal ou seja executado."
Objecto Quase - José Saramago
"Uma ligeiríssima equimose, como de unha impaciente, que a raiz do cabelo quase esconde, não parece que por aqui a morte possa entrar. Em verdade, já está lá dentro."
História da sua vida e outros contos - Ted Chiang
"– Vocês não tem nenhum desejo de andar sobre a terra de verdade?
Kudda encolheu os ombros.
– Vivemos na estrada para o céu, todo o trabalho que fazemos é para estendê-la ainda mais. Quando deixarmos a torre, vamos pegar a rampa de subida, não a de descida."
"Os indivíduos, tragicamente, são como marionetes, animados de modo independente, mas ligados a uma teia que escolhem não ver; eles poderiam resistir, se quisessem, mas pouquíssimos o fazem."
"Não queria que os heptápodes nos dessem nova tecnologia, porque não queria ver o que os nossos governos poderiam fazer com ela."
"Qualquer coisa com a qual você cresce parece bem normal."
Kudda encolheu os ombros.
– Vivemos na estrada para o céu, todo o trabalho que fazemos é para estendê-la ainda mais. Quando deixarmos a torre, vamos pegar a rampa de subida, não a de descida."
"Os indivíduos, tragicamente, são como marionetes, animados de modo independente, mas ligados a uma teia que escolhem não ver; eles poderiam resistir, se quisessem, mas pouquíssimos o fazem."
"Não queria que os heptápodes nos dessem nova tecnologia, porque não queria ver o que os nossos governos poderiam fazer com ela."
"Qualquer coisa com a qual você cresce parece bem normal."
Mundo Perdido - Michael Crichton
"O declínio dos dinossauros permitiu o crescimento e desenvolvimento dos mamíferos – incluindo nós. E isso nos leva a indagar se o desaparecimento dos dinossauros vai se repetir, mais cedo ou mais tarde, com a espécie humana. Em nível mais profundo, a falha não estaria no destino – um meteoro caído do céu – mas no nosso comportamento."
"O que o faz pensar que os seres humanos são sensíveis e conscientes? Não há evidência disso. Os seres humanos jamais pensam por si mesmos, acham extremamente desconfortável. A maior parte dos membros da nossa espécie simplesmente repete o que ouve dizer – e fica perturbada quando é exposta a uma opinião diferente. O traço humano mais característico não é a consciência, mas o conformismo, e essa característica tem como resultado o conflito religioso. Os outros animais lutam por território e por alimento, mas os seres humanos, diferentes de todo o resto do reino animal, lutam por suas crenças. Isso porque a crença dirige o comportamento, que tem grande importância evolutiva entre os seres humanos. Porém, numa época em que nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para supor um mínimo de consciência na nossa espécie. Somos conformistas autodestrutivos e obstinados. Qualquer outra visão da nossa espécie não passa de autocongratulação, ilusão."
"Os meninos eram inteligentes, cheios de entusiasmo e jovens demais para que a escola tivesse destruído toda a sua vontade de aprender. Podiam ainda usar os cérebros, o que, na opinião de Thorne, era um sinal certo de que não haviam concluído a educação formal."
"Durante toda a sua vida as pessoas irão dizer uma porção de coisas. E na maior parte das vezes, provavelmente em noventa e cinco por cento das vezes, tudo o que elas disserem estará errado."
"Durante toda a sua vida, outras pessoas irão tentar roubar de você o que você conquistar. Não roube de você mesma."
"Os seres humanos são extremamente destrutivos – disse Malcolm. – Às vezes acho que somos uma espécie de praga que vai acabar com tudo o que existe na Terra. Nós destruímos tão bem que às vezes penso que essa é a nossa função. Talvez de milhões em milhões de anos apareça um animal que mata o resto do mundo, esvazia o convés e deixa a evolução prosseguir para a sua fase seguinte."
"O que o faz pensar que os seres humanos são sensíveis e conscientes? Não há evidência disso. Os seres humanos jamais pensam por si mesmos, acham extremamente desconfortável. A maior parte dos membros da nossa espécie simplesmente repete o que ouve dizer – e fica perturbada quando é exposta a uma opinião diferente. O traço humano mais característico não é a consciência, mas o conformismo, e essa característica tem como resultado o conflito religioso. Os outros animais lutam por território e por alimento, mas os seres humanos, diferentes de todo o resto do reino animal, lutam por suas crenças. Isso porque a crença dirige o comportamento, que tem grande importância evolutiva entre os seres humanos. Porém, numa época em que nosso comportamento pode nos levar à extinção, não vejo razão para supor um mínimo de consciência na nossa espécie. Somos conformistas autodestrutivos e obstinados. Qualquer outra visão da nossa espécie não passa de autocongratulação, ilusão."
"Os meninos eram inteligentes, cheios de entusiasmo e jovens demais para que a escola tivesse destruído toda a sua vontade de aprender. Podiam ainda usar os cérebros, o que, na opinião de Thorne, era um sinal certo de que não haviam concluído a educação formal."
"Durante toda a sua vida as pessoas irão dizer uma porção de coisas. E na maior parte das vezes, provavelmente em noventa e cinco por cento das vezes, tudo o que elas disserem estará errado."
"Durante toda a sua vida, outras pessoas irão tentar roubar de você o que você conquistar. Não roube de você mesma."
"Os seres humanos são extremamente destrutivos – disse Malcolm. – Às vezes acho que somos uma espécie de praga que vai acabar com tudo o que existe na Terra. Nós destruímos tão bem que às vezes penso que essa é a nossa função. Talvez de milhões em milhões de anos apareça um animal que mata o resto do mundo, esvazia o convés e deixa a evolução prosseguir para a sua fase seguinte."
O dilema do porco-espinho - Leandro Karnal
"É um sentimento amplo, poderoso e fundamental. Uma criança cria amigos imaginários para viver suas fantasias. Dizem que é saudável. Que seres seríamos capazes de inventar para não reconhecer nossa solidão?"
"De todos os antídotos contra a solidão, a leitura é um dos mais criativos. Aqui estamos, eu sozinho ao escrever, e você sozinho ou sozinha ao ler. Aqui, duas solidões se encontram, trocam ideias, pensam e, efeito fascinante, transmutam o estar só em pensar e compartilhar. Só na solidão você é você e só na solidão eu sou eu. Na leitura solitária, somos dois autênticos viajantes isolados que, por um breve instante, aceitam conversar com um estranho fortuito."
"Estamos viciados na poluição sonora que teme ouvir os próprios pensamentos, daí ligar vários aparelhos ao mesmo tempo para abafar os gritos da consciência. Não há como fugir da constatação de que quanto mais consciente for, mais solitário se sentirá."
"Estar sozinho e bem requer maturidade e equilíbrio. Desequilibrados, inseguros e aqueles com vazios impreenchíveis na alma tremem diante da possibilidade de estar sem alguém do lado. Casais com muita vivência e equilibrados podem passar horas sozinhos. Um está ouvindo música, o outro, lendo. Podem passar horas sem se falar. Dias, semanas sem se ver, em viagem para destinos diferentes. Quando estão juntos, todavia, estão um com o outro e um para o outro. Ligam para o outro, conversam, de verdade, com intimidade e cumplicidade. Adélia Prado, em seu poema Casamento, escreve lindamente sobre isso quando nos diz da mulher, que adora tirar as escamas dos peixes pescados pelo marido, junto dele, em silêncio, na cozinha: ‘É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,/ de vez em quando os cotovelos se esbarram,/ ele fala coisas como ‘este foi difícil’/ ‘prateou no ar dando rabadas’/ e faz o gesto com a mão./ O silêncio de quando nos vimos pela primeira vez/ atravessa a cozinha como um rio profundo.’ O casal fala pouco, mas está efetivamente junto. O texto termina dizendo que ambos deitam como noivo e noiva, após muito silêncio e companheirismo, a solidão do tempo em que um foi pescar e o outro esteve em casa. Trocando em miúdos, o problema não e estarem sozinhos ou o silêncio, é a falta de comunicação, a distância de almas."
"O mundo que nos formou morre antes de nós. Quando nos tornarmos velhos, nossas referências de mundo já caducaram. Alguém com 90 anos ouviu Carmem Miranda na infância. Com quem conversa sobre isso numa festa apenas com pessoas mais jovens?"
"De todos os antídotos contra a solidão, a leitura é um dos mais criativos. Aqui estamos, eu sozinho ao escrever, e você sozinho ou sozinha ao ler. Aqui, duas solidões se encontram, trocam ideias, pensam e, efeito fascinante, transmutam o estar só em pensar e compartilhar. Só na solidão você é você e só na solidão eu sou eu. Na leitura solitária, somos dois autênticos viajantes isolados que, por um breve instante, aceitam conversar com um estranho fortuito."
"Estamos viciados na poluição sonora que teme ouvir os próprios pensamentos, daí ligar vários aparelhos ao mesmo tempo para abafar os gritos da consciência. Não há como fugir da constatação de que quanto mais consciente for, mais solitário se sentirá."
"Estar sozinho e bem requer maturidade e equilíbrio. Desequilibrados, inseguros e aqueles com vazios impreenchíveis na alma tremem diante da possibilidade de estar sem alguém do lado. Casais com muita vivência e equilibrados podem passar horas sozinhos. Um está ouvindo música, o outro, lendo. Podem passar horas sem se falar. Dias, semanas sem se ver, em viagem para destinos diferentes. Quando estão juntos, todavia, estão um com o outro e um para o outro. Ligam para o outro, conversam, de verdade, com intimidade e cumplicidade. Adélia Prado, em seu poema Casamento, escreve lindamente sobre isso quando nos diz da mulher, que adora tirar as escamas dos peixes pescados pelo marido, junto dele, em silêncio, na cozinha: ‘É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,/ de vez em quando os cotovelos se esbarram,/ ele fala coisas como ‘este foi difícil’/ ‘prateou no ar dando rabadas’/ e faz o gesto com a mão./ O silêncio de quando nos vimos pela primeira vez/ atravessa a cozinha como um rio profundo.’ O casal fala pouco, mas está efetivamente junto. O texto termina dizendo que ambos deitam como noivo e noiva, após muito silêncio e companheirismo, a solidão do tempo em que um foi pescar e o outro esteve em casa. Trocando em miúdos, o problema não e estarem sozinhos ou o silêncio, é a falta de comunicação, a distância de almas."
"O mundo que nos formou morre antes de nós. Quando nos tornarmos velhos, nossas referências de mundo já caducaram. Alguém com 90 anos ouviu Carmem Miranda na infância. Com quem conversa sobre isso numa festa apenas com pessoas mais jovens?"
A negação da morte - Ernest Becker
"Não há dúvida de que os primitivos celebram com frequência a morte – como Hocart e outros demonstraram – porque acreditam que a morte é a promoção suprema, a última elevação ritual para uma forma de vida superior, para o desfrute da eternidade de alguma forma. A maioria dos ocidentais modernos tem dificuldade em acreditar nisso, o que faz com que o medo da morte tenha um papel muito destacado em nossa configuração psicológica."
"A rivalidade entre irmãos é um problema crítico que reflete a condição humana básica: não é que as crianças sejam maldosas, egoístas ou dominadoras. Elas simplesmente expressam muito abertamente o trágico destino do homem: justificar-se desesperadamente como um objeto de valor primordial no universo, se destacar, ser um herói, dar a maior contribuição possível para a vida no mundo, mostrar que vale mais do que qualquer outra coisa ou pessoa."
"Como disse Aristóteles em algum lugar: sorte é quando o sujeito ao seu lado é atingido pela flecha. (...) É esse narcisismo que faz com que, nas guerras, homens continuem marchando até serem atingidos por tiros a queima-roupa. No fundo do coração, o indivíduo não acha que vai morrer, apenas sente pena daquele que está ao seu lado. A explicação de Freud para isso era de que o inconsciente não conhece a morte ou o tempo: nos seus recessos orgânicos fisioquímicos mais íntimos, o homem se sente imortal."
"O herói era o homem que podia entrar no mundo dos mortos, no mundo espiritual, e voltar vivo. (...) O herói divino de cada um desses cultos era alguém que tinha voltado dos mortos. E como sabemos, hoje, com base na pesquisa de mitos e rituais antigos, o próprio cristianismo era um concorrente dos cultos misteriosos e saiu vencedor – entre outras razões – porque também tinha em destaque um homem que curava, tinha poderes sobrenaturais e havia ressuscitado."
"Os homens primitivos que tinham mais medo eram os mais realistas em relação à sua situação na natureza, e transmitiram aos seus descendentes um realismo valoroso para a sobrevivência. O resultado foi o surgimento do homem tal como o conhecemos: um animal hiperansioso que inventa constantemente razões para a sua ansiedade."
"Um leão deve sentir-se mais certo do que uma gazela de que Deus está do seu lado."
"O que veremos é o que homem molda para si mesmo um mundo governável: ele se lança à ação sem usar de crítica, sem pensar. Aceita a programação ditada pela sua cultura, que lhe diz para onde ele deve olhar."
"Tudo o que o homem faz no seu mundo simbólico é uma tentativa de negar e vencer o seu destino grotesco. O homem literalmente se entrega a um esquecimento cego utilizando-se de jogos sociais, truques psicológicos, preocupações pessoais tão distantes da realidade de as situação que se constituem em formas de loucura – loucura admitida pelo consenso, loucura compartilhada, disfarçada e digna, mas ainda assim loucura."
"No mais alto trono do mundo o homem senta-se sobre o traseiro. Em geral, esse epigrama faz as pessoas rirem, porque parece resgatar o mundo do orgulho artificial e o esnobismo e trazer as coisas de volta aos valores igualitários. Mas se nos aprofundarmos nessa observação e dissermos que os homens se sentam não apenas sobre os seus traseiros mas sobre um monte quente e fumegante de seu próprio excremento, a piada já não terá mais graça."
"A grande dádiva da repressão é a de possibilitar ao homem viver decisivamente em um mundo esmagadoramente miraculoso e incompreensível, mundo tão cheio de beleza, majestade e terror que, se os animais o percebessem, ficariam paralisados e sem ação."
"A maior descoberta de Freud, aquela que se acha na raiz da psicodinâmica, é que a grande causa de muita doença psicológica é o medo do autoconhecimento – do conhecimento de nossas emoções, nossos impulsos, nossas recordações, capacidades, potencialidades, nosso destino."
"Há o tipo de homem que tem grande desprezo pela imediação, que tenta cultivar sua interioridade, tenta fundamentar seu sendo de valor pessoal em algo mais profundo e mais interior, criar uma distância entre si mesmo e o homem médio. Kierkegaard chama esse tipo de homem de introvertido. É um homem um tanto mais preocupado com o que significa ser uma pessoa, ter individualidade e singularidade. Gosta da solidão e se retira periodicamente para refletir, talvez para nutrir ideias sobre o seu eu secreto, sobre o que este eu poderia ser. Este, em resumo, é o único problema verdadeiro da vida, a única preocupação humana que vale a pena: qual é o seu verdadeiro talento, seu dom secreto, sua autêntica vocação? De que maneira a pessoa é realmente ímpar, e como pode expressar essa singularidade, dedicá-la a algo que está além de si mesma? Como é que a pessoa pode tomar o seu ser interior privado, o grande mistério que ela sente no seu íntimo, suas emoções, seus anseios, e usá-los para viver mais distintamente, para enriquecer tanto a si mesma quanto a humanidade com a qualidade característica de seu talento? Na adolescência, na maioria de nós lateja esse dilema, e o expressamos com palavras e pensamentos ou com sofrimentos e anseios sufocados. Mas, em geral, a vida nos suga atirando-nos a atividades padronizadas. O sistema social de heróis em que nascemos traça trilhas para o nosso heroísmo, trilhas com as quais nos conformamos, às quais nos moldamos para que possamos agradar aos outros, tornarmo-nos aquilo que os outros esperam que sejamos. E em vez de trabalhar o nosso segredo interior, vamos aos poucos cobrindo-o e esquecendo-o, enquanto nos tornamos homens puramente exteriores, jogando com sucesso o padronizado jogo dos heróis, no qual caímos por acidente, por conexões familiares, por um patriotismo reflexo, ou pela simples necessidade de comer e pela ânsia de procriar. Não estou dizendo que o introvertido de Kierkegaard mantém essa busca interior inteiramente viva e consciente, mas apenas que ela representa um pouco mais do que um problema vagamente consciente, do que representado no caso do homem acordado, tragado pelo ambiente. O introvertido de Kierkegaard sente-se um ser diferenciado no mundo, tem alguma coisa em si mesmo que o mundo não pode refletir, não pode, em sua imediação e superficialidade, apreciar; e por isso esse indivíduo se mantém um tanto afastado do mundo."
"Se não temos a onipotência de um deus, pelo menos podemos destruir como se fôssemos um."
"Uma vez admitido o fato de ser uma criatura que defeca, você convida o oceano primitivo da angústia animal a desaguar sobre você. Mas isso é muito mais do que a angústia da criatura, é também a angústia do homem, a angústia que resulta do paradoxo humano de que o homem é sim um animal, porém cônscio de sua limitação animal. A angústia é o resultado da percepção da verdade da nossa condição. O que significa ser um animal consciente de si mesmo? A ideia é absurda, se não for monstruosa. Significa saber que se é alimento para os vermes."
"Com os seus problemas característicos, o homem é o único animal que pode, muitas vezes de bom grado, abraçar o profundo sono da morte, mesmo sabendo que isso significa o esquecimento."
"O homem normal abocanha da vida aquilo que ele tem condições de mastigar e digerir, e nada mais. Em outras palavras, os homens não são feitos para serem deuses para assimilarem o mundo inteiro; são feitos, como outras criaturas, para assimilar o pedaço de terra que está diante de seus focinhos. Os deuses podem assimilar a totalidade da criação, porque só eles podem entendê-la, saber de que se trata e para que serve. Mas assim que o homem levanta o nariz do chão e começa a farejar problemas eternos, como a vida e a morte, o significado de uma rosa ou um grupo de estrelas – aí ele se complica. A maioria dos homens se poupa dessa complicação, mantendo a mente concentrada nos pequenos problemas de suas vidas, tal como a sociedade em que vivem traça esses problemas para eles. São os que Kierkegaard chamava de homens imediatos e de filisteus. Eles se tranquilizam com o trivial – e assim podem levar vidas normais."
"Não existe um limite entre normal e neurótico, já que todos nós mentimos e estamos comprometidos, de certas maneiras, com a mentira. A neurose é, então, algo de que todos nós partilhamos, ela é universal."
"Afinal, o que devemos pensar de uma criação na qual a atividade rotineira consiste em os organismos despedaçarem os outros com dentes de todos os tipos, mordendo, triturando carne, talos de plantas e ossos entre os molares, empurrando avidamente a pasta goela abaixo, incorporando sua essência à própria organização e depois evacuando o resíduo com mau cheiro e gases? Cada um tentando incorporar outros que lhes sirvam de alimento. Os mosquitos inchando-se de sangue, os gusanos, as abelhas assassinas atacando com fúria e demonismo, tubarões continuando a estraçalhar e engolir enquanto suas próprias entranhas estão sendo arrancadas. Isso para não falar na mutilação e no massacre diário em acidentes naturais de todos os tipos: um terremoto enterra vivos setenta mil corpos no Peru, forma-se uma pirâmide de mais de cinquenta mil carros velhos por ano só nos Estados Unidos, um maremoto leva mais de duzentas e cinquenta mil pessoas no Oceano Índico. A criação é um aterrorizante e grandioso espetáculo que se passa num planeta que vem sendo ensopado, durante centenas de milhões de anos, no sangue de todas as suas criaturas."
"A rivalidade entre irmãos é um problema crítico que reflete a condição humana básica: não é que as crianças sejam maldosas, egoístas ou dominadoras. Elas simplesmente expressam muito abertamente o trágico destino do homem: justificar-se desesperadamente como um objeto de valor primordial no universo, se destacar, ser um herói, dar a maior contribuição possível para a vida no mundo, mostrar que vale mais do que qualquer outra coisa ou pessoa."
"Como disse Aristóteles em algum lugar: sorte é quando o sujeito ao seu lado é atingido pela flecha. (...) É esse narcisismo que faz com que, nas guerras, homens continuem marchando até serem atingidos por tiros a queima-roupa. No fundo do coração, o indivíduo não acha que vai morrer, apenas sente pena daquele que está ao seu lado. A explicação de Freud para isso era de que o inconsciente não conhece a morte ou o tempo: nos seus recessos orgânicos fisioquímicos mais íntimos, o homem se sente imortal."
"O herói era o homem que podia entrar no mundo dos mortos, no mundo espiritual, e voltar vivo. (...) O herói divino de cada um desses cultos era alguém que tinha voltado dos mortos. E como sabemos, hoje, com base na pesquisa de mitos e rituais antigos, o próprio cristianismo era um concorrente dos cultos misteriosos e saiu vencedor – entre outras razões – porque também tinha em destaque um homem que curava, tinha poderes sobrenaturais e havia ressuscitado."
"Os homens primitivos que tinham mais medo eram os mais realistas em relação à sua situação na natureza, e transmitiram aos seus descendentes um realismo valoroso para a sobrevivência. O resultado foi o surgimento do homem tal como o conhecemos: um animal hiperansioso que inventa constantemente razões para a sua ansiedade."
"Um leão deve sentir-se mais certo do que uma gazela de que Deus está do seu lado."
"O que veremos é o que homem molda para si mesmo um mundo governável: ele se lança à ação sem usar de crítica, sem pensar. Aceita a programação ditada pela sua cultura, que lhe diz para onde ele deve olhar."
"Tudo o que o homem faz no seu mundo simbólico é uma tentativa de negar e vencer o seu destino grotesco. O homem literalmente se entrega a um esquecimento cego utilizando-se de jogos sociais, truques psicológicos, preocupações pessoais tão distantes da realidade de as situação que se constituem em formas de loucura – loucura admitida pelo consenso, loucura compartilhada, disfarçada e digna, mas ainda assim loucura."
"No mais alto trono do mundo o homem senta-se sobre o traseiro. Em geral, esse epigrama faz as pessoas rirem, porque parece resgatar o mundo do orgulho artificial e o esnobismo e trazer as coisas de volta aos valores igualitários. Mas se nos aprofundarmos nessa observação e dissermos que os homens se sentam não apenas sobre os seus traseiros mas sobre um monte quente e fumegante de seu próprio excremento, a piada já não terá mais graça."
"A grande dádiva da repressão é a de possibilitar ao homem viver decisivamente em um mundo esmagadoramente miraculoso e incompreensível, mundo tão cheio de beleza, majestade e terror que, se os animais o percebessem, ficariam paralisados e sem ação."
"A maior descoberta de Freud, aquela que se acha na raiz da psicodinâmica, é que a grande causa de muita doença psicológica é o medo do autoconhecimento – do conhecimento de nossas emoções, nossos impulsos, nossas recordações, capacidades, potencialidades, nosso destino."
"Há o tipo de homem que tem grande desprezo pela imediação, que tenta cultivar sua interioridade, tenta fundamentar seu sendo de valor pessoal em algo mais profundo e mais interior, criar uma distância entre si mesmo e o homem médio. Kierkegaard chama esse tipo de homem de introvertido. É um homem um tanto mais preocupado com o que significa ser uma pessoa, ter individualidade e singularidade. Gosta da solidão e se retira periodicamente para refletir, talvez para nutrir ideias sobre o seu eu secreto, sobre o que este eu poderia ser. Este, em resumo, é o único problema verdadeiro da vida, a única preocupação humana que vale a pena: qual é o seu verdadeiro talento, seu dom secreto, sua autêntica vocação? De que maneira a pessoa é realmente ímpar, e como pode expressar essa singularidade, dedicá-la a algo que está além de si mesma? Como é que a pessoa pode tomar o seu ser interior privado, o grande mistério que ela sente no seu íntimo, suas emoções, seus anseios, e usá-los para viver mais distintamente, para enriquecer tanto a si mesma quanto a humanidade com a qualidade característica de seu talento? Na adolescência, na maioria de nós lateja esse dilema, e o expressamos com palavras e pensamentos ou com sofrimentos e anseios sufocados. Mas, em geral, a vida nos suga atirando-nos a atividades padronizadas. O sistema social de heróis em que nascemos traça trilhas para o nosso heroísmo, trilhas com as quais nos conformamos, às quais nos moldamos para que possamos agradar aos outros, tornarmo-nos aquilo que os outros esperam que sejamos. E em vez de trabalhar o nosso segredo interior, vamos aos poucos cobrindo-o e esquecendo-o, enquanto nos tornamos homens puramente exteriores, jogando com sucesso o padronizado jogo dos heróis, no qual caímos por acidente, por conexões familiares, por um patriotismo reflexo, ou pela simples necessidade de comer e pela ânsia de procriar. Não estou dizendo que o introvertido de Kierkegaard mantém essa busca interior inteiramente viva e consciente, mas apenas que ela representa um pouco mais do que um problema vagamente consciente, do que representado no caso do homem acordado, tragado pelo ambiente. O introvertido de Kierkegaard sente-se um ser diferenciado no mundo, tem alguma coisa em si mesmo que o mundo não pode refletir, não pode, em sua imediação e superficialidade, apreciar; e por isso esse indivíduo se mantém um tanto afastado do mundo."
"Se não temos a onipotência de um deus, pelo menos podemos destruir como se fôssemos um."
"Uma vez admitido o fato de ser uma criatura que defeca, você convida o oceano primitivo da angústia animal a desaguar sobre você. Mas isso é muito mais do que a angústia da criatura, é também a angústia do homem, a angústia que resulta do paradoxo humano de que o homem é sim um animal, porém cônscio de sua limitação animal. A angústia é o resultado da percepção da verdade da nossa condição. O que significa ser um animal consciente de si mesmo? A ideia é absurda, se não for monstruosa. Significa saber que se é alimento para os vermes."
"Com os seus problemas característicos, o homem é o único animal que pode, muitas vezes de bom grado, abraçar o profundo sono da morte, mesmo sabendo que isso significa o esquecimento."
"O homem normal abocanha da vida aquilo que ele tem condições de mastigar e digerir, e nada mais. Em outras palavras, os homens não são feitos para serem deuses para assimilarem o mundo inteiro; são feitos, como outras criaturas, para assimilar o pedaço de terra que está diante de seus focinhos. Os deuses podem assimilar a totalidade da criação, porque só eles podem entendê-la, saber de que se trata e para que serve. Mas assim que o homem levanta o nariz do chão e começa a farejar problemas eternos, como a vida e a morte, o significado de uma rosa ou um grupo de estrelas – aí ele se complica. A maioria dos homens se poupa dessa complicação, mantendo a mente concentrada nos pequenos problemas de suas vidas, tal como a sociedade em que vivem traça esses problemas para eles. São os que Kierkegaard chamava de homens imediatos e de filisteus. Eles se tranquilizam com o trivial – e assim podem levar vidas normais."
"Não existe um limite entre normal e neurótico, já que todos nós mentimos e estamos comprometidos, de certas maneiras, com a mentira. A neurose é, então, algo de que todos nós partilhamos, ela é universal."
"Afinal, o que devemos pensar de uma criação na qual a atividade rotineira consiste em os organismos despedaçarem os outros com dentes de todos os tipos, mordendo, triturando carne, talos de plantas e ossos entre os molares, empurrando avidamente a pasta goela abaixo, incorporando sua essência à própria organização e depois evacuando o resíduo com mau cheiro e gases? Cada um tentando incorporar outros que lhes sirvam de alimento. Os mosquitos inchando-se de sangue, os gusanos, as abelhas assassinas atacando com fúria e demonismo, tubarões continuando a estraçalhar e engolir enquanto suas próprias entranhas estão sendo arrancadas. Isso para não falar na mutilação e no massacre diário em acidentes naturais de todos os tipos: um terremoto enterra vivos setenta mil corpos no Peru, forma-se uma pirâmide de mais de cinquenta mil carros velhos por ano só nos Estados Unidos, um maremoto leva mais de duzentas e cinquenta mil pessoas no Oceano Índico. A criação é um aterrorizante e grandioso espetáculo que se passa num planeta que vem sendo ensopado, durante centenas de milhões de anos, no sangue de todas as suas criaturas."
Lições do Caminho - Igor Teo
"O desejo condiciona nossa visão. Enxergamos o mundo a partir das lentes do que queremos ver. Nomeamos as coisas a partir do que queremos chamar. Conhecer nossos desejos é o primeiro passo para conhecer o caminho que trilhamos."
"O mestre de si, no entanto, conquista antes a sua própria mente. Compreende aquilo que deseja, mas não permite que o desejo consuma a si próprio."
"O bom viajante compreende que não há fim no caminho. Não há perfeição nele. Mas isto não o impede de caminhar. Ele conhece os prazeres do caminho, e entende que o próprio caminhar define o caminho, e não seu suposto destino final."
"Por vezes, nos deparamos com o sentimento de vazio. Ele reflete a própria verdade da vida: a ausência de um sentido último para as coisas. Mas antes de nos sentirmos tristes por isso, o que devemos lembrar é que a vida é uma folha em branca, pronta para ser escrita. Se não fosse branca, não haveria nada a escrever, nada novo, nada livre para ser feito. É porque ela não está já escrita, é porque ela é vazia, que podemos preenchê-la com nossa forma de viver"
"Aprender a morrer é se libertar da morte."
"No caminho para tornar-se mestre de si, o homem deve se encontrar muitas vezes com a parte escura de si mesmo. Aquilo que ele preferia esconder, que vê como vergonhoso ou mal."
"Vivemos em tempos que a felicidade não é colocada como uma experiência possível da vida, e sim como uma obrigação. Ser feliz, mostrar felicidade, estar sempre alegre e animado aparece como uma obrigação social, excluindo o espaço para a tristeza, a interiorização e a reflexão. A obrigação em alcançar essa estranha felicidade apenas aumenta o número de infelizes."
"Aquele que encontra seu desejo, descobre o caminho. Aquele que sabe lidar com seu desejo, encontra o caminho para o contentamento."
"Quem busca conhecimento, aprende algo novo a cada dia. Quem busca o caminho, desaprende algo a cada dia. Na vida, muitas vezes possuímos certas ideias preconcebidas de como as coisas devem ser. Acreditamos que aprender é como construir um edifício, onde sempre se acrescenta um andar. Como se sempre fosse uma operação de acréscimo. Ao trilhar o caminho, no entanto, o homem descobre que muitas vezes é o contrário que deve ser feito. Isto é, se despir de certas ideias, retirar aquilo que lhe foi colocado pela vida, para então poder viver de forma plena. (...) Assim procede o mestre de si, retirando de si um pouco mais a cada vez. A tarefa de autoconhecimento não é um acumulo de mais saber, mas se despir dos excessos para descobrir que, ao fim, nada resta além do próprio caminho."
"O mestre de si, no entanto, conquista antes a sua própria mente. Compreende aquilo que deseja, mas não permite que o desejo consuma a si próprio."
"O bom viajante compreende que não há fim no caminho. Não há perfeição nele. Mas isto não o impede de caminhar. Ele conhece os prazeres do caminho, e entende que o próprio caminhar define o caminho, e não seu suposto destino final."
"Por vezes, nos deparamos com o sentimento de vazio. Ele reflete a própria verdade da vida: a ausência de um sentido último para as coisas. Mas antes de nos sentirmos tristes por isso, o que devemos lembrar é que a vida é uma folha em branca, pronta para ser escrita. Se não fosse branca, não haveria nada a escrever, nada novo, nada livre para ser feito. É porque ela não está já escrita, é porque ela é vazia, que podemos preenchê-la com nossa forma de viver"
"Aprender a morrer é se libertar da morte."
"No caminho para tornar-se mestre de si, o homem deve se encontrar muitas vezes com a parte escura de si mesmo. Aquilo que ele preferia esconder, que vê como vergonhoso ou mal."
"Vivemos em tempos que a felicidade não é colocada como uma experiência possível da vida, e sim como uma obrigação. Ser feliz, mostrar felicidade, estar sempre alegre e animado aparece como uma obrigação social, excluindo o espaço para a tristeza, a interiorização e a reflexão. A obrigação em alcançar essa estranha felicidade apenas aumenta o número de infelizes."
"Aquele que encontra seu desejo, descobre o caminho. Aquele que sabe lidar com seu desejo, encontra o caminho para o contentamento."
"Quem busca conhecimento, aprende algo novo a cada dia. Quem busca o caminho, desaprende algo a cada dia. Na vida, muitas vezes possuímos certas ideias preconcebidas de como as coisas devem ser. Acreditamos que aprender é como construir um edifício, onde sempre se acrescenta um andar. Como se sempre fosse uma operação de acréscimo. Ao trilhar o caminho, no entanto, o homem descobre que muitas vezes é o contrário que deve ser feito. Isto é, se despir de certas ideias, retirar aquilo que lhe foi colocado pela vida, para então poder viver de forma plena. (...) Assim procede o mestre de si, retirando de si um pouco mais a cada vez. A tarefa de autoconhecimento não é um acumulo de mais saber, mas se despir dos excessos para descobrir que, ao fim, nada resta além do próprio caminho."
Fragmento trazido pelo vento
"Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto menciona está ligado entre si, aí não há nenhuma solidão, Deixemos a árvore, olhe para dentro de si e veja a solidão, Como disse o outro, solitário andar por entre a gente, Pior do que isso, solitário estar onde nem nós próprios estamos." (O ano da morte de Ricardo Reis - José Saramago)
Na natureza selvagem - Jon Krakauer
"Parecia um garoto que estava buscando alguma coisa, buscando alguma coisa. Só não sabia o que era."
"Se o dia e a noite são de tal forma que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma fragrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais brilhante e mais imortal –eis aí o vosso êxito."
"Venho pensando cada vez mais que devo ser sempre um caminhante solitário por natureza. Meu Deus, como a trilha me atrai! Você não pode compreender esse incansável fascínio. Ao cabo de tudo, a trilha solitária é a melhor. (...) Jamais deixarei de vaguear. E quando chegar o momento de morrer, encontrarei o lugar mais selvagem, mais solitário, mais desolado que exista."
"Viver deliberadamente: atenção consciente ao básico da vida e uma atenção constante ao meio ambiente imediato e o que lhe diz respeito, exemplo: um emprego, uma tarefa, um livro, tudo exigindo concentração eficiente."
"Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil à gente para quem é fácil fazer o bem e que não está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera tenha alguma utilidade; depois, descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo."
"Eu admiro meu corpo, essa matéria a qual estou preso tornou-se tão estranha para mim. Não temo espíritos, fantasmas, dos quais sou um – isso meu corpo pode –, mas temo corpos, tenho medo de encontrá-los."
"Oh, como se deseja às vezes escapar da estupidez sem sentido da eloquência humana, de todas aquelas frases sublimes, pra se refugiar na natureza, aparentemente tão inarticulada, ou na ausência de palavras da labuta longa e pesada, do sono saudável, da verdadeira música, ou de uma compreensão humana tornada muda pela emoção!"
"Se o dia e a noite são de tal forma que vós os saudais com alegria, se a vida emite uma fragrância de flores e ervas aromáticas e se torna mais elástica, mais brilhante e mais imortal –eis aí o vosso êxito."
"Venho pensando cada vez mais que devo ser sempre um caminhante solitário por natureza. Meu Deus, como a trilha me atrai! Você não pode compreender esse incansável fascínio. Ao cabo de tudo, a trilha solitária é a melhor. (...) Jamais deixarei de vaguear. E quando chegar o momento de morrer, encontrarei o lugar mais selvagem, mais solitário, mais desolado que exista."
"Viver deliberadamente: atenção consciente ao básico da vida e uma atenção constante ao meio ambiente imediato e o que lhe diz respeito, exemplo: um emprego, uma tarefa, um livro, tudo exigindo concentração eficiente."
"Passei por muita coisa na vida e agora penso que encontrei o que é necessário para a felicidade. Uma vida tranquila e isolada no campo, com a possibilidade de ser útil à gente para quem é fácil fazer o bem e que não está acostumada que o façam; depois trabalhar em algo que se espera tenha alguma utilidade; depois, descanso, natureza, livros, música, amor pelo próximo."
"Eu admiro meu corpo, essa matéria a qual estou preso tornou-se tão estranha para mim. Não temo espíritos, fantasmas, dos quais sou um – isso meu corpo pode –, mas temo corpos, tenho medo de encontrá-los."
"Oh, como se deseja às vezes escapar da estupidez sem sentido da eloquência humana, de todas aquelas frases sublimes, pra se refugiar na natureza, aparentemente tão inarticulada, ou na ausência de palavras da labuta longa e pesada, do sono saudável, da verdadeira música, ou de uma compreensão humana tornada muda pela emoção!"
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