15 anos de fragmentos.
O Morcego - Augusto dos Anjos
Meu Deus! E este morcego! E, agora, vede:
Na bruta ardência orgânica da sede,
Morde-me a goela ígneo e escaldante molho.
“Vou mandar levantar outra parede…”
– Digo. Ergo-me a tremer. Fecho o ferrolho
E olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho,
Circularmente sobre a minha rede!
Pego de um pau. Esforços faço. Chego
A tocá-lo. Minh’alma se concentra.
Que ventre produziu tão feio parto?!
A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra
Imperceptivelmente em nosso quarto!
Magia do Caos, uma jornada pelo inconsciente - Luis Z Siqueira
"O inconsciente é um diretor de teatro que tudo vê, um observador por trás das cortinas, que vê a plateia (consciência), o palco (mundo externo), sem ser visto. Despercebido no momento da peça da vida real, é ele - o inconsciente - quem dirige e determina aquilo que será percebido."
"Creio, logo sou."
Narciso e Goldmund - Hermann Hesse
"'Certamente', prosseguiu Narciso, 'Naturezas como a sua, possuidoras de sentidos fortes e delicados, os anímicos, os sonhadores, os poetas, os amantes, são diferentes de nós, homens do espírito, e nos são quase sempre superiores. Vossa origem é materna. Viveis na plenitude e a vós vos foi dada a força do amor e da vivência. Quanto a nós outros, seres espirituais, embora pareçamos estar frequentemente vos dirigindo e vos governando, não vivemos na plenitude e sim na aridez; a vós pertence a fartura da vida, a vós o suco das frutas, a vós o jardim do amor, o belo país das artes. Vossa pátria é a terra; a nossa, a ideia. Vosso perigo está em vos afogardes no mundo dos sentidos; o nosso, em sufocarmos no vácuo. Você é artista; eu, pensador. Você dorme no regaço materno; eu acordo no deserto. Para mim brilha o sol; para você, a lua e as estrelas..."
Chamando os filhos do sol - Marcelo Motta
"O sofrimento, é o fruto da ignorância, e sua presença é sintoma de erro, e não sinal de espiritualização. Todo ser humano que sofre, sofre por sua própria culpa, e no momento em que sofre. Os vossos erros passados determinam as vossas condições de manifestação; mas a essências do vosso íntimo, o fogo interno que queima no coração da estrela caída, está sempre presente em vós; está sempre presente em vós a possibilidade da Pedra Filosofal, que transmuta o pesado, penoso chumbo de Saturno no belo, luminoso Rubi e Ouro do Sol. Todo homem e toda mulher é uma estrela."
"Este mundo não é um antro de demônios expiando seus pecados; este mundo é um dossel de Deuses que dormem, e dormindo, sonham."
"Dizem-vos que Deus veio ao mundo, foi crucificado pelos nossos pecados, ressuscitou e subiu aos céus, mas por divina caridade morre novamente e se ergue novamente todo dia na cerimônia da missa. Ouvis isto, e dobrais o joelho? Cegos, não compreendeis que vós sois Aquele crucificado sobre a cruz da carne, e que a Crucifixão Vossa é o Batismo da Encarnação? Vós sois o Caminho, a Verdade e a Vida! Erguei-vos, como Ele se ergue diariamente, no Batismo da Ressurreição!"
"Se quereis orar ao Verdadeiro Deus, trabalhai; não importa em que, mas trabalheis com capricho, com devoção, fazendo do vosso trabalho vosso culto; pois quando trabalhais ativamente e com concentração, fazeis germinar as sementes de individualidade e iniciativa que existem latentes dentro de vós. Por isso está escrito: O que quer que tua mão faça, faze-o com todo o teu poder. E por isto, também, está escrito: Conhecê-los-eis pelos seus frutos."
"Os Mestres não auxiliam os homens, mas fazem com que eles aprendam a se auxiliarem a si próprios".
"Eu me assombro cada dia em meio vosso, de ver como pagais serviço com vossos lábios a certas crenças, mas sempre desmentis vossas palavras com vossos atos. Dizeis acreditar em outra vida para a alma, onde ela será mais feliz do que foi aqui na terra, e chorais desabaladamente quando os vossos entes queridos (e até os vossos entes não-queridos) morrem. (...) Dizeis acreditar que a alma é salva pelo batismo na infância, e no entanto vossas igrejas e sacerdotes vis passam a vida inteira do batizado a espreitar, boquejar, e freqüentemente a condenar. Ó geração covarde e hipócrita!"
Atenção plena - Danny Penman; Mark Williams
A voz do silêncio - Helena Blavatsky
“As águas puras da vida eterna, cristalinamente claras, não podem misturar-se às águas lamacentas da tempestade tropical. A gota de orvalho do céu que brilha no meio da flor de lótus com o primeiro raio de sol da manhã, quando cai na terra se torna um pedaço de barro; olhe, a pérola agora é uma partícula de lama.”
“Luta contra teus pensamentos impuros antes que eles te dominem. Usa-os como eles te usarão, porque se os poupares e deixares que criem raízes e cresçam, deves saber que estes pensamentos te dominarão e te matarão. Tem cuidado, Discípulo, não deixes sequer que a sombra de tais pensamentos se aproxime. Porque a sombra crescerá, aumentará em tamanho e poder, e então esta coisa de escuridão absorverá o teu ser antes que tu tenhas percebido bem a presença do monstro preto e repugnante.”
“Não podes trilhar o Caminho antes de te transformares no próprio Caminho.”
“Mata o desejo; mas, se o matas, cuida para que ele não ressurja dos mortos outra vez.”
“Não te irrites com o Carma, nem com as leis imutáveis da Natureza. Mas luta apenas com o que é pessoal, com o transitório, o evanescente e o perecível. Ajuda a Natureza e trabalha com ela; e a Natureza te verá como um dos seus criadores, e te obedecerá.”
“Há uma única estrada para o Caminho; só no seu final a Voz do Silêncio pode ser ouvida. A escada pela qual o candidato sobe é formada por degraus de sofrimento e dor, e estes só podem ser silenciados pela voz da virtude. Ai de ti, portanto, discípulo, se houver um só vício que ainda não abandonaste; porque então a escada cederá e te derrubará. O pé desta escada se apoia na lama profunda dos teus pecados e falhas, e, antes que tu possas tentar atravessar este amplo abismo de matéria, tens que lavar os teus pés nas Águas da Renúncia. Cuida para não pôr um pé ainda sujo no primeiro degrau da escada. Ai daquele que ousa sujar um degrau com pés enlameados. O barro mau e pegajoso seca, se torna resistente, e então gruda os seus pés naquele ponto. E, assim como um pássaro preso pela isca do caçador astuto, ele fica impossibilitado de obter mais progresso. Os seus vícios tomam forma e o arrastam para baixo. Seus pecados erguem suas vozes como a risada e o soluço do chacal depois que o sol se pôs. Os seus pensamentos se tornam um exército e o levam para longe como um escravo e um prisioneiro. Mata teus desejos, Lanu, torna teus vícios impotentes, antes que seja dado o primeiro passo da viagem solene.”
“Silencia os teus pensamentos e fixa toda tua atenção em teu Mestre, que ainda não vês, mas sentes.”
“O caminho diante de ti é longo e cansativo, ó discípulo. Um só pensamento sobre o passado, que tu deixaste para trás, te arrastará para baixo e então terás que começar novamente a subir.”
“A mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões.”
“Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo; desconfia dos teus sentidos; eles são falsos.”
“O teu corpo não é o seu Eu. O teu Eu é em si mesmo destituído de corpo, e nem os elogios, nem as críticas, o afetam.”
“Não permitas que os teus sentidos transformem a tua mente em um pátio de recreio.”
“Tua Alma não pode ser ferida, exceto pelos erros do teu corpo. Controla e domina a ambos, e estarás seguro ao cruzar o já próximo Portão do Equilíbrio”.
“Cuidado com as mudanças! Porque as mudanças são o teu grande inimigo. Estas mudanças te combaterão, e te lançarão para trás e para fora do Caminho que trilhaste, fazendo com que caias profundamente nos pântanos viscosos da dúvida. Prepara-te, e fica alerta a tempo. Se tentaste e falhaste, ó lutador destemido, ainda assim não percas a coragem; continua lutando, e volta a atacar outra e outra vez. Com o sangue precioso da vida saindo das suas largas feridas abertas, o guerreiro destemido ainda atacará o inimigo, expulsando-o de sua fortaleza, antes de morrer ele mesmo. Ajam, então, todos vocês que fracassam e sofrem, ajam como ele; e desde a fortaleza da sua Alma persigam e expulsem todos os seus inimigos – a ambição, a raiva, o ódio, até a sombra de um desejo – mesmo quando tiverem fracassado. Tu, que combates o inimigo em busca da libertação, deves lembrar que cada derrota é um êxito, e cada tentativa sincera conquista sua recompensa a seu devido tempo. Os germes sagrados brotam e crescem sem serem vistos na alma do discípulo. Os seus talos ficam mais fortes a cada nova tentativa.”
Ascensão de Prometeu - Robert Anton Wilson
“O que o pensador pensa, o demonstrador comprova.”
“Acreditar ou convencer a si mesmo significa fazer o que um ator faz: finja até que o fingimento apreça real. Finja até conseguir.”
“A maioria das pessoas é quase tão mecânica quanto robôs de ficção científica. (...) As pessoas estão dormindo e tendo pesadelos. (...) A esses primeiros cristãos, assim como aos budistas, despertar significava literalmente sair desse pesadelo de fantasias aterrorizadoras.”
Liber Null e Psiconauta - Peter J. Carroll
"Estudantes reforçam suas vontades mágicas enfrentando o mais forte adversário possível – suas próprias mentes. Eles exploram as possibilidades de transformar a si próprios à vontade e exploram suas próprias habilidades ocultas em sonhos e atividades mágicas."
"Adeptos buscam a perfeição em todos os aspectos pessoais de seus poderes mágicos, sabedoria e libertação."
"Ao criar a vida do lodo primordial, o Caos sempre buscou aumentar as suas possibilidades de expressão e diversificar suas manifestações. Durante a evolução da vida houve muitos períodos de estagnação e algumas reviravoltas. Mas no fim, a superioridade inerente das criaturas, culturas, homens e ideias mais flexíveis, adaptáveis, inclusivos e complexos sempre vence. Almejar essas qualidades é obter mais libertação do que qualquer façanha bizarra que renúncia ou reorganização de poder político podem vir a criar."
"É errado considerar que qualquer crença liberta mais do que outra. O que importa é a possibilidade de mudar. Cada nova forma de libertação é destinada a algum dia tornar-se outra forma de escravidão para a maioria daqueles que a seguem. Não há independência da dualidade neste plano de existência, mas pelo menos se pode aspirar à escolha da dualidade. Comportamento libertador é aquele que aumenta suas possibilidades de ação futura. Comportamento limitante é aquele que tende a estreitar suas opções. O segredo da liberdade é não ser atraído a situações as quais o número de alternativas se torna limitado ou mesmo unitário."
"Cada encarnação representa uma tarefa, um quebra-cabeça a ser resolvido, rumo a alguma forma maior de completude. A chave para esse quebra-cabeças está nos fenômenos do plano da dualidade em que nos encontramos. Estamos, por assim dizer, presos em um labirinto. A única coisa a fazer é não ficar parados e prestar atenção na forma como as paredes se curvam. Em um universo completamente caótico como esse, não há acidentes. Tudo é significante."
"Uma pessoa cumprindo sua verdadeira vontade é auxiliada pelo momento do universo, e parece possuir uma boa sorte assombrosa. Ao começar a grande obra da obtenção do conhecimento e conversação, o magista jura interpretar toda manifestação da existência como uma mensagem direta e pessoal do Caos para si. Fazer isso é entrar na visão de mundo mágica em sua totalidade. Ele assume completa responsabilidade por sua atual encarnação e deve considerar cada experiência, coisa ou informação que o atinge de qualquer fonte como um reflexo da forma que ele vem conduzindo sua existência."
"O magista deve começar a perceber todas as coincidências que o rodeiam, ao invés de dispensá-las. É comum perceber que logo antes de alguém dizer algo, ou de um evento ocorrer, sabia-se que ocorreria. (...) Se um esforço for aplicado à observação dessas ocorrências e ao registro das mesmas no diário mágico, elas começam a tornar-se muito mais numerosas."
"Ao tentar desenvolver a vontade, a mais fatal das armadilhas é confundir a vontade com o chauvinismo do ego. A vontade não é força de vontade, virilidade, obstinação ou dureza. Vontade é unidade de desejo."
"Apenas quando se está em estado de desejo múltiplo nós testemunhamos a agonia estúpida da força de vontade. Submeter-se a diversos juramentos, abstinências e testes é simplesmente criar conflitos na mente. A vontade sempre se manifestar-se-á como a vitória do desejo mais forte, e ainda assim o ego reage com aversão se o desejo escolhido falhar."
"A força vital sempre busca carne, corpo, ideias, emoções, experiências, etc, através de encarnações infinitas. Pois sem a carne, o Kia não tem um espelho para si, portanto não tem consciência, êxtase, nada. É ou esse nada ou a carne, e a condição da carne é dual. O estado perpétuo de guerra eterna é o preço, propósito e recompensa da existência."
"A cada momento, o consórcio de “eus” cria um novo rosto. Eu não sou quem eu era segundos atrás, muito menos ontem. Nosso nome é múltiplo. Eu sou uma colônia de seres que compartilham o mesmo envelope."
"O que é um deus senão um homem comandando a força do Caos?"
"A força que cria é também a que destrói. Os mecanismos celulares que possibilitam a reprodução e o crescimento são os mesmos que causam o envelhecimento e a morte."
"Em uma civilização como a nossa, tão afastada de fenômenos naturais, quase todos os medos e desejos são induzidos socialmente, ou até mesmo imaginários."
"Diariamente nossa cobiça e medo assumem proporções grotescas e bizarras."
"A criatividade da consciência se expandiu de forma tão incrível que a totalidade das ideias humanas parece dobrar a cada década. A ciência não causou isso, a ciência é um dos seus efeitos colaterais."
"O Deus monoteísta é apenas uma versão ampliada de uma imagem idealizada de nós mesmos, nossos pais ou reis."
"A evolução nos deixou com três cérebros. Ao invés de uma completa reestruturação do cérebro a cada etapa do avanço evolutivo, novos pedaços foram simplesmente acrescentados para cobrir novas funcionalidades. A parte mais nova do nosso cérebro é a que nos faz unicamente humanos. Apenas os símios tem algo similar. A próxima parte mais antiga é a que compartilhamos com os mamíferos em geral. As partes mais primitivas do cérebro são algo que os mamíferos, incluindo nós, compartilham com os répteis. O humano tem um homem, um lobo e um crocodilo vivendo dentro do crânio."
"Todos os dragões, serpentes e demônios escamosos dos mitos e pesadelos são atavismos reptilianos que surgem das partes mais antigas de nosso cérebro. A evolução não excluiu esses padrões de comportamento ancestrais; apenas os enterrou sob uma pilha de novas modificações. Assim, os deuses da mitologia, como representantes da consciência humana, suprimem os titãs e dragões da consciência mais antiga."
"Nosso ego é o que nossa mente pensa que nós somos. É uma imagem de nós mesmos que cresce a partir de nossas experiências de vida – nosso corpo, sexo, raça, religião, cultura, educação, socialização, medos e desejos. Há uma grande pressão para que desenvolvamos um ego integrado e assertivo. Deveríamos saber exatamente quem somos e no que acreditamos e ser capazes de defender essa identidade. Quando mais nos identificamos com algo, mais rejeitamos o seu oposto. Dessa forma, os egos mais fores e obsessivos pertencem aos seres menos completos. Para esses, há o problema adicional de que exaltar qualquer princípio mais cedo ou mais tarde atrairá seu oposto. Aqueles que exaltam a força ver-se-ão em uma posição de fraqueza. Aqueles que se esforçam pelo bem serão enredados pelo mal."
"Desenvolver um ego é como construir um castelo contra a realidade. Ele oferece certa defesa e um sendo de propósito, mas quanto maior ele é, mais convida ataques e, no fim, há de desmoronar. Há outro problema. Todas as fortalezas são também prisões. Como nossas crenças implicam uma rejeição de seus opostos, elas restringem fortemente nossa liberdade."
A Rebelião de Lúcifer - J.J. Benitez
"A existência divina nunca poderá ser provada nem compreendida por meio de experiências científicas ou de deduções lógicas da razão pura. Ninguém pode conceber claramente a Deus senão fora dos reinos da experiência humana. Porém, como você sabe, o verdadeiro conceito da realidade de Deus é razoável para a lógica, plausível para a filosofia, essencial para a religião e indispensável para toda esperança de sobrevivência pessoal."
"– No dia em que tiverdes acesso a essa parte da Verdade – concluiu com uma velha e suspeita citação bíblia – vossos olhos se abrirão... Então, só então, compreendereis que o Bem e o Mal são irreais. Que as promessas de salvação que apregoam vossas igrejas nada são além de astutas chantagens para obter a submissão dos humanos, ou seja, o poder..."
"A humanidade, vós, não teme mais as forças da natureza. O progresso deu lugar a uma nova forma de religião: a da mente. Um sem-fim de igrejas na luta pela posse exclusiva da Verdade. Todas dispões de sua própria teologia e baseiam sua existência no princípio dogmático e indiscutível da autoridade. Milhões de seres humanos aceitam sem discussão a proteção dessas religiões, que pedem, em troca, uma cega e total submissão. Perfeitamente estabelecidas e cristalizadas, essas igrejas são o refúgio mais confortável para aquelas mentes que se veem assaltadas pelas dúvidas e pela incerteza. O preço a pagar é a docilidade e assentimento intelectual a princípios, ritos e dogmas que, apesar do infantilismo e da fossilização, são tidos e considerados como revelações divinas, manifestações sagradas e caminho de perfeição. À frente dessas igrejas, vós sabeis, há centenas de milhares de novos feiticeiros, empenhados, principalmente, na vigilância e manutenção desse princípio de autoridade. Obviamente, não dançam em volta do fogo nem fustigam seus fiéis com chicote, mas houve um tempo em que queimavam, torturavam e prendiam em nome de Deus. Hoje, sua tirania é mais cruel e extenuante: utilizam a obscura magia de palavras como fé ou salvação para acabar cm qualquer tentativa de liberdade e de busca espiritual. É a religião do dogma."
"E eu lhe pergunto: sabe de algum ser humano realmente inteligente que seja arrogante? Os seres inteligentes de verdade são, quase sempre, os mais humildes..."
"O desenvolvimento da civilização em teu mundo não é muito diferente de outros planetas que padeceram o infortúnio do isolamento espiritual. Mas, se comparada aos mundos leais a Micael, Iurancha, de fato, é um lugar confuso e atrasado. Devido a essa involução cósmica, os humanos de teu mundo não podem compreender a cultura de outros planetas. E nem sequer conhecem a existência dessas civilizações. O nível biológico de vossas raças encontra-se alterado e extremamente atrasado e sois vítimas da falta de verdadeiros ideais. Mas não te confundas, Sinuhé: à primeira vista, Iurancha é um mundo desventurado. Certo. Porém, o isolamento também oferece vantagens.
– Vantagens? – disse Sinuhé com ceticismo.
– A incomunicabilidade dessas esferas permite o exercício de uma virtude sem igual: a fé. O desenvolvimento dessas qualidade, à margem da vista e de qualquer outra consideração material, fortalece os espíritos dos mortais desses mundos até limites inimagináveis. (...) São, ou melhor, sois seres capazes de vencer nas missões mais difíceis."
"Se houvesse contado com um príncipe planetário honesto e com Filhos Materiais firmes, as raças humanas de teu mundo, como todas as do espaço e do tempo, teriam conhecido os seguintes estágios: A Era da Nutrição: nessas épocas, as criaturas pré-humanas e as raças iniciais vivem principalmente para a alimentação e a sobrevivência física. A busca de comida é seu único e básico horizonte. A Era da Segurança: assim que os caçadores primitivos dispõem de alimentação abundante, todo o seu tempo é destinado a reforçar sua segurança e a do clã. Assim, nascem novas técnicas guerreiras e de construção de casas. A Era do Conforto e dos Prazeres: após resolver seus problemas de alimentação e segurança, os homens caem no luxo e na órbita dos prazeres. São épocas que se caracterizam pela tirania em todos os níveis, pela intolerância, a gula, a embriaguez e o que hoje chamais de consumismo desenfreado. A Era da Busca da Sabedoria e do Conhecimento: a alimentação, a segurança, o prazer e o ócio são as bases que permitem o desenvolvimento da cultura e da inteligência. O esforço para pôr os conhecimentos em prática acaba na sabedoria. A obsessão pelo bem-estar material domina ainda essa civilização, mas muitos indivíduos já apontam para outro horizonte: o do conhecimento. Em geral, a educação e a cultura são o grande triunfo dessa era. A Era da Filosofia e da Fraternidade: quando os mortais aprendem a pensar por si mesmos e a tirar proveito da experiência, surge a Filosofia. A sociedade, então, torna-se ética e seus homens, morais. E só esses seres sábios e realmente morais são os capacitados para estabelecer uma verdadeira irmandade humana. A Era do Esforço Espiritual: quando os mortais evoluem e passam pelos estágios de desenvolvimento físico, intelectual e social, cedo ou tarde atingem os níveis de clarividência, que os conduzem irremediavelmente à busca de satisfações espirituais e à compreensão das verdades cósmicas. As religiões conseguem se elevar acima das motivações do medo e da superstição, até a verdadeira sabedoria da experiência pessoal. Os humanos dessa era conhecem, pela primeira vez, o alcance da palavra Deus. A Era da Luz e da Vida: é o florescimento as eras sucessivas da segurança física, da expansão intelectual e espiritual. Os desejos e objetivos humanos fundem-se, então, com os de outros seres celestes. É a época final, na qual não existem fronteiras. O intercâmbio com outras civilizações é total. Nesses tempos, os príncipes planetários dos mundos ancorados na luz são elevados à posição de soberanos planetários.
Não era preciso ser muito esperto para deduzir que a Terra – Iurancha – não havia superado a terceira era ainda: a do Conforto. E em algumas regiões do globo, os humanos ainda se debatem na primeira e na segunda. E embora não seja menos verdade que se pressente no planeta uma mudança – um salto, talvez, para essa outra Era da Busca do Conhecimento –, na realidade, o caminho a percorrer é imenso ainda."
Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
"E tentou imaginar como pareceria a chama de uma vela depois que a vela acabasse, mas não se lembrava de ter visto alguma vez na vida coisa semelhante."
"'Vamos, de que serve chorar assim?' disse Alice a si mesma, asperamente. 'Aconselho você a parar com isso agora mesmo!' Ela geralmente dava conselhos muito bons a si própria (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente que seus olhos se enchiam de lágrimas; lembrou-se que, uma vez, tentara dar um puxão nas próprias orelhas, por ter trapaceado numa partida de croquet que jogava contra si mesma – pois essa menina curiosa adorava fingir que era duas pessoas" 'Mas de nada me serve agora', pensou a pobre Alice, 'fingir que sou duas pessoas! Porque tudo o que sobrou de mim mesma é pouco até para ser uma só pessoa respeitável!'"
"Vamos ver: eu era a mesma quanto me levantei esta manhã? Estou quase me recordando que me sentia um pouquinho diferente. Mas, se eu não sou mais eu mesma, a pergunta é: Quem afinal sou eu? Ah, aí é que está o problema."
Origem - Dan Brown
"Bom, ciência e religião não competem, são duas linguagens diferentes tentando contar a mesma história. Neste mundo há espaço para as duas."
"Não quero ser desrespeitoso, Winston, mas preciso dizer: frequentemente acho difícil saber quando algo é arte moderna e quando é pura bizarrice."
"– Os que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo – disse Julian, recitando o aforismo decorado no ensino fundamental.
– Exato. E a história provou repetidamente que os lunáticos ascenderão ao poder de novo e de novo em maremotos de nacionalismo agressivo e intolerância, mesmo em lugares onde isso parece absolutamente incompreensível."
"– Para você, pessoalmente... as leis da física bastam?
Langdon a encarou como se tivesse esperado uma pergunta totalmente diferente.
– Bastam em que sentido?
– Espiritualmente. Basta viver num Universo cujas leis criam a vida espontaneamente? Ou você prefere... Deus? – Ela fez uma pausa, parecendo sem graça. – Desculpe, depois de tudo o que passamos esta noite, sei que é uma pergunta estranha.
– Bom – disse Langdon, rindo. – Acho que eu daria uma resposta melhor depois de uma noite de sono decente. Mas não, não é uma indagação estranha. As pessoas perguntam o tempo todo se eu acredito em Deus.
– E o que você responde?
– A verdade, Digo que, para mim, a questão de Deus está em entender a diferença entre códigos e padrões.
Ambra o encarou.
– Não sei se entendi.
– Códigos e padrões são coisas bem diferentes. E muitas pessoas confundem as duas. No meu campo de estudos, é crucial entender a diferença fundamental entre elas.
– E qual é?
Langdon parou de andar e se virou para Ambra.
– Um padrão é uma sequência nitidamente organizada. Os padrões acontecem em toda a parte na natureza: a espiral das sementes de um girassol, as células hexagonais de um favo de mel, as ondulações circulares num lago quando um peixe salta, etc.
– Certo. E os códigos?
– Os códigos são especiais. – disse Langdon, aumentando o volume da voz. – Por definição os códigos devem carregar informação. Devem fazer mais do que simplesmente formar um padrão; devem transmitir dados e significado. Alguns exemplos de códigos são a linguagem escrita, a notação musical, as equações matemáticas, a linguagem de computador e até símbolos simples como o crucifixo. Todos esses exemplos podem transmitir significado ou informação de um modo que as espirais dos girassóis não podem.
Ambra captou o conceito, mas não como ele se relacionava com Deus.
– A outra diferença entre códigos e padrões – continuou Langdon – é que os códigos não ocorrem naturalmente no mundo. A notação musical não brota das árvores e os símbolos não se desenham sozinhos na areia. Os códigos são invenção deliberada de consciências inteligentes.
Ambra assentiu.
– Então os códigos sempre têm uma intenção ou uma percepção por trás.
– Exato. Os códigos não aparecem organicamente. Devem ser criados.
Ambra o examinou por um longo momento.
– E o DNA?
Um sorriso professoral apareceu nos lábios de Langdon.
– Bingo – disse ele. – O código genético. Esse é o paradoxo.
Ambra sentiu uma empolgação. O código genético obviamente carregava dados, instruções específicas sobre como construir um organismo. Segundo a lógica de Langdon, isso só poderia significar uma coisa.
– Você acha que o DNA foi criado por uma inteligência!
Langdon levantou a mão fingindo se defender.
– Ei, vamos com calma! – disse rindo. – Você está pisando em terreno perigoso. Só me permita dizer o seguinte. Desde que eu era criança, sempre tive uma sensação profunda de que há uma consciência por trás do Universo. Quando testemunho a precisão da matemática, a confiabilidade da física e as simetrias do cosmo, não me sinto observando a ciência fria. Sinto que estou vendo uma pegada... a sombra de alguma força maior que está fora do nosso alcance.
Ambra podia sentir o poder das palavras dele.
– Eu gostaria que todo mundo pensasse como você – disse finalmente. – Parece que brigamos muito por causa de Deus. Todo mundo tem uma versão diferente da verdade."
Sonhos Elétricos - Philip K. Dick
"Essa brincadeira é mais vantajosa do que vender carros e televisores para as pessoas. Nós temos que comprar esse tipo de coisa. Não é um luxo, algo grande e vistoso para impressionar os vizinhos, algo que a gente pudesse viver sem. Se não comprarmos isso, nós morremos. Eles sempre disseram que para vender alguma coisa era preciso criar ansiedade nas pessoas. Criar um sentimento de insegurança, dizer a elas que cheiram mal ou têm um ar esquisito. Mas isso transforma desodorantes e óleos capilares em piada. Você não tem como escapar. Se não comprar, eles tem matam. O discurso de vendas perfeito. Compre ou morra, um novo slogan. Tenha um abrigo de bombas de hidrogênio da General Eletronics novinho em folha em seu quintal ou seja executado."