"Na minha opinião, depois da morte, a matéria deveria ser aniquilada. Seria o método mais adequado para lidar com o corpo. Assim, os corpos aniquilados voltariam diretamente para os buracos negros de onde vieram. As almas viajariam para a luz com a velocidade da luz. Isso se de fato existir algo como a alma."
"Enquanto olhava para o planalto e sua paisagem em branco e preto, entendi que a tristeza é uma palavra importante na definição do mundo. Constitui a base de tudo, é o quinto elemento, a quintessência."
"É preciso manter os olhos e ouvidos abertos, associar os fatos, enxergar a semelhança lá onde os outros veem uma completa discrepância, lembrar que certos acontecimentos ocorrem em vários níveis ou, em outras palavras: muitos incidentes são aspectos do mesmo acontecimento. E que o mundo é uma grande rede, é um todo único, e não existe nada que esteja isolado. Cada fragmento do mundo, até o menor deles, está interligado com os outros através de um complexo cosmos de correspondências, onde uma mente simplória dificilmente penetra."
"Olho para o mundo da mesma forma que os outros olham para o eclipse do sol. É assim que eu vejo a Terra eclipsada. Vejo como nos movemos cegamente na penumbra eterna, como melolontas presas numa caixa por uma criança cruel. É fácil nos machucar e nos ferir, quebrar em pedaços nossa existência intrincada e bizarra. Percebo tudo como anormal, horrível e perigoso. Vejo apenas catástrofes. Mas se a queda constitui o início, há como cair mais fundo?"
"Quando fico inquieta, imagino que tenho um zíper no ventre, do pescoço até a virilha, e o abro devagar, de cima para baixo. E depois tiro os braços dos braços, as pernas das pernas e a cabeça da cabeça. Saio de meu próprio corpo, que desliza de mim como uma roupa velha. Debaixo dela, sou mais fina, delicada, quase transparente. Tenho o corpo como o de uma medusa: branco, leitoso, fosforescente. Só essa fantasia é capaz de me trazer alívio. Só então volto a ser livre."
"Essa ligação com algo tão enorme como o céu nos incomoda. Preferiríamos ser pequenos, e então nossos pequenos pecados seriam perdoáveis. Estou convencida de que precisamos conhecer profundamente essa prisão."
"Acho que a psique humana se constituiu para nos incapacitar de enxergar a verdade. Para nos impedir de ver o mecanismo sem obstáculos. A psique é o nosso sistema de defesa – é responsável por não nos permitir entender tudo aquilo que nos rodeia. Ocupa-se principalmente de filtrar as informações, embora as possibilidades do cérebro sejam enormes. Seria impossível suportar tamanho conhecimento, visto que todas as partículas do mundo, por menores que sejam, estão compostas de sofrimento."
"Às vezes tenho a impressão de que vivemos num mundo que nós mesmos projetamos. Determinamos o que é bom e o que é ruim, desenhamos mapas de significados... E depois, durante a vida inteira, lutamos contra aquilo que concebemos. O problema é que cada um tem a sua própria versão, por isso é tão difícil as pessoas chegarem a um acordo."
"Tudo passará. Uma pessoa sábia sabe disso desde o início e não se arrepende de nada."
"Há algumas coisas que não somos capazes de entender, mas podemos senti-las muito bem."
"Nenhum coração humano é capaz de aguentar tanta dor. Toda a complicada psique humana foi criada para não permitir que o ser humano entenda aquilo que vê de verdade. Para que não descubra a verdade, envolto em ilusão e conversa fiada. O mundo é uma prisão cheia de sofrimento, construída de tal forma que, para sobreviver, é preciso causar dor nos outros."